Uma das partes mais delicadas do currículo é a parte da experiência profissional. A primeira vista pode parecer simples. Afinal, é são colocar os lugares aonde você trabalhou, certo? Bem… Não é só isso, há outros fatores a serem considerados e você tem que encontrar o equilíbrio entre eles. Vamos por partes.

“Nunca trabalhei na vida e não tenho experiência. E agora?”

A má notícia é que pouquíssimas empresas contratam pessoas sem experiência. A boa notícia é que você não precisa ter trabalhado formalmente pra ter experiência! Se você nunca trabalhou esqueça o termo “experiência profissional”, pense apenas em “experiência”.

Se você organizar suas idéias vai identificar muitas coisas que você fez como favores e que depõem a seu favor. Quer alguns exemplos?

  • Monitoria Escolar. Existe aquela formal, que o professor ou a escola coordenam, e tem aquele estudo em grupo informal, em que você ajuda seus amigos a passarem no fim do ano. Só lembre de colocar no seu currículo se foi algo organizado por você (e seus amigos) ou pelo professor (junto à escola).
  • Trabalhos Voluntários. Você pode procurar em ONGs, associações, entidades relogiosas, etc. Acredite: sempre tem alguma coisa pra fazer. E você contribui da forma como pode, com o tempo que pode.
  • Digitação de Trabalhos. Às vezes você nem percebe o quanto a sua família ou seus amigos te pedem isso. Mas esses pequenos trabalhos de digitação demonstram habilidade com ferramentas de edição de texto.

Enfim. Até um site que você tenha elaborado, um blog que você mantém ou colabora com textos, pode ser citado como uma experiência (não profissional). Eu coloco sempre a minha participação no Produzindo.net no meu currículo. =)

“Pulei de empresa em empresa em busca de melhores oportunidades e meu currículo está muito extenso. E agora?”

Muitas empresas ficam de o pé atrás com profissionais que ficam pulando de empresa em empresa. Afinal, na maioria dos casos a empresa faz uma contratação esperando que o novo funcionário passe alguns anos por lá. Se você troca constantemente de emprego, a sensação que você passa é que, caso seja contratado, só vai se empenhar em procurar coisas melhores FORA da empresa. Ninguém quer investir em alguém que não vai dar retorno, certo?

Porém, esse tipo de comportamento é muito comum em áreas em que a oferta de emprego é abundante porque faltam profissionais especializados. A minha área de formação (biblioteconomia) costuma ser assim: temos muita oferta de estágio durante a faculdade, e um bom número de ofertas de emprego. Porém, como os salários não são muito atrativos, os profissionais acabam entrando em um esquema de “leilão” que pode acabar manchando o currículo.

Existe uma maneira de deixar mais claro para quem faz a análise do seu currículo que o seu objetivo não é continuar pulando de empresa em empresa “fazendo leilão de si mesmo”. Você pode criar uma área no seu currículo chamada “Objetivos Profissionais”, que fica logo depois dos seus dados profissionais. Lá você vai descrever brevemente o que você deseja alcançar no seu próximo emprego. Por exemplo: “Trabalhar em empresa de pequeno/médio/grande porte, com oportunidades de desenvolvimento profissional, em determinada área de atuação.”. Só fato de você querer oportunidades de desenvolvimento profissional demonstra que você deseja fazer carreira em uma empresa. Só não vale colocar isso no currículo sem que seja verdade. Lembre-se que há uma grande chance de você ter que passar por uma entrevista presencial, o que pode fazer com que o pessoal do RH perceba que você quer continuar no esquema de leilão!

Outras dicas

Tenha em mente o seguinte: Se você já passou da fase dos estágios e tem pelo menos uns 2 anos de empregos formais, pode começar a não colocar as informações de estágio em seu currículo. Por mais legais que tenham sido as suas atribuições e atividades desenvolvidas, você não está mais procurando estágio. E isso já vai reduzir consideravelmente o impacto visual que o excesso de experiência profissional pode causar.

Outro ponto interessante a observar é que qualquer local em que você tenha trabalhado, mesmo com carteira assinada, aonde não tenha cumprido o tempo de experiência (geralmente 45 dias, renovado por mais 45 dias), não precisa ser declarado no seu currículo também. Afinal, em 3 meses você dificilmente entendeu toda a organização da empresa e a complexidade de suas atribuições.

Agora os demais empregos você deve colocar sim, mesmo que não tenha chegado a completar um ano na empresa.

Organizando

Definidas as experiências que você vai colocar no seu currículo, você deve organizá-las de maneira lógica e objetiva. As informações que são necessárias são:

  • Instituição ou empresa para qual você trabalhou;
  • Período durante o qual você trabalhou (data de início e data fim);
  • Cargo ocupado;
  • Atribuições ou atividades desenvolvidas.

Um bom exemplo de formatação é o seguinte:

Nome Empresa – de mês/ano a mês/ano

Cargo: Estagiário

Atividades desenvolvidas:

  • Apoio às atividades de…
  • Manutenção de…
  • Organização de…

Disponha as informações em ordem cronológica e decrescente (da mais recente até a mais antiga). Não esqueça de descrever as suas atividades da forma mais objetiva, utilizando a linguagem e códigos comuns da área de atuação, pois isso pode ser o diferencial que fará os selecionadores escolherem você ao invés dos seus concorrentes.

Em breve voltarei com mais dicas sobre as partes específicas do currículo. Tem alguma dúvida? Deixe um comentário logo abaixo!

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