A incompetência da indústria fonográfica e dos seus empreendedores


cd-quebrandoVocê já parou para pensar quanto tempo faz que você comprou um CD pra si ou pensou em dar um CD de presente de aniversário para alguém? Há algum tempo, a industria fonográfica tem vivido uma grave crise. Muitos dizem que é por causa da popularidade dos formatos digitais de áudio (mp3, wmv, flac, etc) vêm tendo nos últimos anos, mas eu digo que é por incompetência.

Tornou-se muito comum ouvirmos falar que mais uma loja que vendia CD’s e DVD’s fechou as portas. As poucas lojas que ainda não fecharam estão sobrevivendo buscando alternativas para seu sustento tal como a venda de instrumentos musicais e equipamentos de música. Alternativas boas? Sim. Ideais? Não.

Com a evolução da tecnologia, muitos hábitos e hobbyes vêm se adaptando às novidades que aparecem. A música é apenas um exemplo de uma mudança causada por uma novidade que já é até bem idosa: as músicas digitais.

O formato MP3 foi o primeiro formato de compressão de música digital com qualidade semelhante à dos CDs. Foi lançado publicamente no início da década de 90, mas só começou a ser aceito pela grande massa quando os dispositivos tocadores de mp3 começaram a ser lançados no mercado.

Você ainda deve estar se perguntando porque eu chamei a indústria fonográfica de incompetente. Simples! Uma indústria que não acompanha os desejos e necessidades de seus clientes é no mínimo incompetente! Se tornou incomum irmos à uma loja comprar um CD. Já que há pouca concorrência no mercado de venda de músicas digitais, ainda é muito mais fácil aderir à pirataria e simplesmente baixá-las nos nos diversos sites de torrents disponíveis por aí.

Mas nem tudo está perdido… Impulsionados pelo sucesso da iTunes Music Store nos Estados Unidos, alguns empreendedores brasileiros tiveram a ótima iniciativa de abrir lojas brasileiras na internet que vendem as músicas no formato digital. Para quem não quer se incluir na pirataria de conteúdo digital e dar os devidos créditos aos seus artistas preferidos, essa é uma ótima saída.

A simples existência dessas lojas “digitais” significa que a indústria fonográfica está finalmente começando a acordar. Abrir uma loja dessas não é fácil, pois é necessário fazer diversos acordos com as diversas produtoras a fim de adquirir o direito de venda das músicas.

Assim, as coisas estão começando a fluir no que se diz respeito às músicas. Mas e para os filmes? Você conhece alguma loja nacional que venda filmes e séries em formato digital? Se existe alguma, devem ser pouquíssimas as lojas. Mais uma vez um sinal de incompetência e que (nesse caso) os empreendedores estão dormindo no ponto, porque aposto que as produtoras já devem estar bem dispostas a fazer acordos.

(créditos da foto para pawel_231:stock.xchng)

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Quem escreve? Bernardo Pina!

Empresário (CEO da agência de comunicação PIBIT) e consultor de tecnologia da informação e marketing digital, é o fundador e editor do blog Produzindo.net. Se dedica a essa atividade pela paixão que tem pelo lema que tomou para a sua vida: “aprender para ensinar”.

9 comentários

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  1. Caro Bernardo Pina

    Permita-me discordar em parte de seu ensaio.
    Na verdade a Indústria Fonográfica, muito mais que incompetente, mostrou-se sempre de uma ganância absurda.
    Muito antes de qualquer piratinha cibernético, ela já fazia pirataria ao comprar espaços inteiros em emissoras de rádio e TV para divulgar aquilo que julgava ser música. Com o enorme lucro auferido na vendagem de um disco, cujo custo industrial não passa de R$ 1.00 (pra ser otimista), as grandes gravadoras nunca tiveram escrúpulos para subornar discotecários e diretores de rádio e TV que por sua vez tornavam-se vaquinhas de presépio das vontades nefastas das grandes empresas.
    Pagar mais de R$ 20.00 por um CD é absolutamente escandaloso. Mesmo que aleguem ser o custo de produção artística altíssimo. Mentira: só merecem produções milionárias os artistas que garantem previamente vendagens milionárias. Produção milionária, só com vendagem garantida. O resto é faturamento em cima de cópias e mais cópias do original Master.
    Outro aspecto que alegam sobre a pirataria é o de que se estaria roubando os direitos autorais do artista. Outra Mentira: Artista ganha dinheiro em shows e nos direitos autorais de execução em emissoras de rádio. Um artista de prestígio aufere no máximo 8% do valor de fábrica do disco, isso tudo, descontados os “pontos de equilíbrio” – contas difíceis de se entender e que as gravadoras sempre souberam manipular muito bem na hora do acerto com os artistas.
    Mais um detalhe, com o enorme lucro auferido pelas gravadoras, elas jamais se preocuparam em abrir espaço para novos talentos, rendendo-se, quando muito, a “descobrir” os talentos que estivessem de acordo com suas pretensões de lucro fácil. Nenhum comprometimento com a Música de Qualidade ou com a Cultura.

    Aldo Della Monica
    Jornalista da Revista Música e Violão e Guitarra

  2. André disse:

    Tá, concordo que a indústria fonográfica não sabe agradar seus clientes da mesma forma, mas no final do artigo fiquei esperando uma sugestão de caminho a ser seguido. Lojinhas virtuais estão longe de serem a solução ideal, ainda mais no brasil, onde até ipods originais são artigos de luxo…

    • Bernardo Pina disse:

      André, uma solução excelente seria algo parecido com o modelo de negócios que a iTunes Store utiliza. Lá, você compra músicas por US$0,99, episódios de séries por US$2,99 e por aí vai.

      Quem não pagaria menos de R$2,00 por uma música que gostou? No entanto, vemos as poucas lojas de música digital que abriram por aqui vendendo músicas a R$3 a R$5. Aí não tem como né? rs

  3. Vinci Amorim disse:

    Não é bem assim.

    Primeiro, não concordo com a idéia de a industria fonográfica (ou qualquer outra indústria) seja gananciosa. Nada mais justo. Se fosse barato e fácil abrir uma indústria fonográfica, haveria uma a cada esquina. O risco é alto o suficiente para justificar os retornos. O deputado que criou a lei da oferta e da procura devia ser coroado rei. ;-)

    Se alguém estivesse disposto a pagar 1 bilhão de reais pela sua cueca usada, você não venderia pois não é ganancioso?

    Também acho que taxar a indústria fonográfica de incompetência seria o mesmo que subestimar a inteligência dos administradores das indústrias de máquinas a vapor. O fato é que tecnologia passa. E a indústria da música agora investe em outros meios muito lucrativos (além do iTunes) é possível comprar música legalizada em diversos sites brasileiros como a , além de poder comprar diretamente pelo celular).

    E não venha me dizer que o preço é alto. Se há quem pague, o preço é bom. Afinal, o objetivo não é vender para a maior quantidade de gente possível, e sim vender com o maior lucro possível.

    • Antonino Marcato disse:

      Que viva o capitalismo neo liberal, que viva o funk e o axé. Viva Paulo Coelho e Sarney ! Casas Bahia, Abilio Diniz e Banco Itaú.

  4. Fábio Henrique Araújo disse:

    Concordo que no Brasil, os esforços para acompanharem as novas tecnologias e os novos costumes do consumidor são tímidos ainda, décadas vão se passar até alguém conseguir inserir no costume do brasileiro, o hábito e iniciativa de comprar uma música, CD ou filme de forma legal pela internet.

    Só, para constar Bernardo, a Saraiva inaugurou um serviço bem interessante, o Saraiva Digital, onde você pode comprar ou alugar filmes e séries através de download, pagando taxas módicas.

    A verdade é que a muito o que se explorar neste campo, mas como em todos os outros inexplorados, poucos querem ser os primeiros, pois os riscos são grandes. Contudo, a história não ensina que a vanguarda e o pioneirismo valem apenas àqueles que não temem ousar.

    Abs.

    Fábio Henrique Araújo
    Salvador – BA

  5. Hélio disse:

    Dei uma lida nos comentários do pessoal e achei interessante o quão longa essa discussão pode levar. Mas retomando o foco do autor do post, lembro-me daquele livro agora "Quem mexeu no meu queijo?". Adivinha quem são os "homenzinhos" ? A outra pergunta é, cadê os "ratinhos" ? Concordo absolutamente com a incompetência citada. Más notícias não quer dizer o fim, a tecnologia sempre vai querer automatizar e baratear os custos de produção, essa tendência todo mundo tá careca de saber. O pior não é chorar pelo leite derramado, mas sim ficar de braços cruzados sabendo que o leite vai ser derramado.

  6. Luiz disse:

    R$ 50,00.. quem já pensou em pagar este valor por um CD?
    Eu não. Acho um absurdo. A maioria dos CDs não chegam nem a 18 músicas.
    Boas, menos ainda. Vendessem a 15 reais estaria de bom tamanho.. quanto mais facilitar o acesso às compras de CDs, maiores as venas (penso eu).

    É o mesmo que as lojas do varejo fazem. Diminuem as margens para tirar na quantidade.
    A indústria fonográfica não aproveitou o bom momento.
    Agora, que o download já se popularizou há muito tempo, estão pensando em baixar os valores de venda. Tem de correr antes. Nada fica por muito tempo.

    Na Europa, a maioria dos discos é vendida a 9,90 euros. Por que no Brasil não pode ser 9,90 reais? Já que os discos são feitos na zona franca.

  7. Iuri Madeira disse:

    Insistem em esmurrar as pontas das facas. Outro dia, uma ação judicial limitou as ações do Mininova.org, um site que todo mundo usa pra baixar séries, filmes, jogos e músicas via torrent.

    Quando as grandes empresas notarem que lutar contra a "pirataria" é inútil, será tarde demais. De certa forma isso é bom, abre caminho pra pessoas visionárias iniciarem grandes negócios. Isso é o que a Web 2.0 está fazendo. Muitos dizem ser uma nova revolução industrial. Eu concordo.

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