Um dos principais sugadores de produtividade é a procrastinação. Você sabe o que deveria estar fazendo e, mesmo assim, não faz — algo parece lhe prender. Suas tarefas se acumulam, a ansiedade aumenta e você produz menos ainda.

Com o tempo, os problemas aumentam — principalmente na sua imaginação. Não que as atividades sejam tão difíceis de se realizar. Por estar tão ansioso, não consegue subdividir o projeto em tarefas menores. Sua mente assume que você não é capaz de resolver a situação.

A pergunta que segue é “Como virar o jogo e acabar com a procrastinação”? Já citamos algumas formas para evitá-la. Hoje falaremos de outra alternativa: trabalhar em tiros.

procrastinacao-01

Trabalhando em tiros para acabar com a procrastinação

Não, não são tiros de revólver — não se mate! São como tiros em treinos de natação e corrida. O atleta se esforça intensamente por um período curto de tempo. Estes tiros normalmente são repetidos diversas vezes até completar o treino.

Esta é a idéia sugerida por Merlin Mann no 43folders.com, um dos blogs referência em GTD. Ele sugere que, quando a procrastinação alcançar níveis extremos, se trabalhe em dashes — períodos muito curtos, porém dedicados, de atividade.

Como trabalhar em tiros

Para trabalhar em tiros, é necessário quebrar uma tarefa em pequenas etapas. Depois disso, você assume que irá concluí-la em um período curto determinado (pode ser tão pequeno quanto um minuto).

Ao fim, mesmo que aquele pequeno passo represente pouco no andamento total, você saiu da inércia e deu o primeiro passo — além de ter ganho um pouco de auto-confiança.

Os tipos de tiros

Planeje um tiro coerente com o projeto e atividade que está envolvido. O ideal é escolher a tarefa mais simples possível. Assim terá certeza que irá completá-la da forma assumida. O objetivo é completar um pouco a cada tiro, e não resolver tudo de uma vez.

  • Tiro de tempo – Defina um tempo limite de trabalho de acordo com a tarefa (pode ser um, dois, cinco, nove minutos, você escolhe). Coloque um cronômetro para não ultrapassá-lo. Concentre-se totalmente e cumpra o objetivo. Se terminar antes, terá o tempo restante de descanso.
  • Tiros de quantidade – Para alguns projetos faz mais sentido determinar a quantidade que será feito. Por exemplo, ler um capítulo do livro ou preencher três formulários. Aqui não há tempo limite. De novo, ao completar, descanse por alguns minutos.
  • Tiros combinados – Há casos que você pode especificar um limite de tempo e outro de quantidade. Quando o primeiro deles for atingido, pare.

Como aplicar

Marlin Mann diz que usa este sistema frequentemente e em qualquer projeto. Particularmente, acho que ele é mais aplicável aos casos em que o projeto está realmente parado. Aqueles que você nem começou a pensar sobre o que precisa ser feito — às vezes odiamos uma tarefa mesmo antes de começá-la.

Começando com um trabalho em tiro e completando uma etapa bem pequena, teremos uma idéia melhor do que deve ser feito. Será mais difícil procrastinar.

Depois disso a produtividade fluirá. Até que isto aconteça, trabalhe em tiros e mantenha-se produtivo.

(créditos da foto para tuckerlee)

About The Author

Engenheiro Eletrônico pela UFBA concluindo MBA em Gestão Empresarial pela FGV, adora encontrar soluções simples para tarefas do dia-a-dia. Alia técnicas de produtividade pessoal à computação inteligente, deixando mais tempo para as coisas realmente boas da vida. Para outras formas de facilitar a nossa vida, também edita o blog FazendoAcontecer.net.

3 Responses

  1. Gustavo Periard

    Este tipo de prática parece indicado pra quem precisa “dar um gás” em certas atividades, como escrever um livro ou um trabalho acadêmico e que parou com eles há algum tempo.

    A idéia é legal, mas não pode ser utilizada como única forma de trabalho. Caso contrário algumas tarefas ficarão paradas enquanto outras estão pela metade. E nada se resolverá por compelto.

    Bom tema! ;)

    • Rafael Perrone

      Gustavo,

      concordo com você. Quando conheci, a ideia que me veio na cabeça foi de trabalhos chatos ou coisas que você nem sabe por onde começar. Seria uma forma de dar o pontapé inicial.

      Mas no artigo original, Merlin Mann diz que usa esse método constantemente. Ele fica dando tiros até o trabalho fluir naturalmente, quando ele passa a trabalhar continuamente.

      Mais uma prova de que as pessoas são diferentes e o que é bom para uns, não necessariamente é para os outros.