Imagine a cena:

Você acorda num sábado de manhã, bem disposto, toma aquela chuveirada, um belo café da manhã e sai acompanhado de sua jovem e linda esposa. Segue pelas ruas sonhando acordado com o que te espera em seu destino. Aquela é uma manhã especialmente aguardada pelo casal há algum tempo.

Acelera um pouco mais seu carro, que não é novo, mas “dá pro gasto”, rumo à concessionária de automóveis no centro da cidade. Vocês estão prestes a realizar um sonho: trocar de carro por um modelo zero quilômetro.

Chegando ao local, você entra acompanhado de sua esposa e de longe visualiza seu objeto de desejo. Dirige-se até o carro e no meio do caminho o vendedor o cumprimenta com um “bom dia” ao passo que começa a te seguir.

Olha daqui, analisa de lá, faz algumas perguntas técnicas sobre o motor do carro e os acessórios, abre a porta, fecha a porta, abre novamente, entra, olha tudo por dentro, sai… Está decidido. “Vou levar”, é sua decisão final. Mas agora é que vem a parte importante.

Como você não tem o dinheiro para pagar a nova aquisição à vista, resolve dar uma pequena entrada de R$ 5 mil e parcelar os outros R$ 35 mil à perder de vista, em diminutas parcelas, em 60 meses.

Quem nunca teve a brilhante idéia de nosso personagem? Ou mais, quem nunca viveu na pele a história narrada acima? Pois é, , mas é ai que mora o perigo.

Nosso amigo, que vamos chamar de John, e sua esposa Mary, não tem muita noção do que acabaram de fazer. Ao antecipar um consumo recorrendo ao crédito, ou financiamento, como muitos preferem chamar, além de assumirem uma dívida por 5 anos, (60 meses para pagar), no final das contas, ainda terão pago o equivalente a 2 ou até 3 carros do mesmo valor do que compraram. Por que? Porque esses financiamentos têm uma face oculta que conhecemos como a mágica dos juros compostos.

Mas o que seria essa “mágica”? Vamos lá, eu explico.

Quando investimos 40 mil reais, (mesmo valor do carro novo de John e Mary), com um rendimento de 1% ao mês, (mais ou menos a mesma taxa que as concessionárias cobram nos carros Zero Km), por um período de 10 anos, no final teremos a singela quantia de R$ 132.015,48. Isso mesmo, cento e trinta e dois mil reais e uns quebrados, mais de 100% de lucro. Essa é a mágica dos juros compostos. Veja a rentabilidade de três meses desse exemplo:

No primeiro mês:

  • Valor investido: R$40,000.00
  • Juros: 1%
  • Rentabilidade desses 1%: R$400,00
  • Total final no primeiro mês: R$40.400,00

No segundo mês:

  • Valor investido: R$40.400,00
  • Juros: 1%
  • Rentabilidade desses 1%: R$404,00
  • Total final no segundo mês: R$40.804,00

No terceiro mês:

  • Valor investido: R$40.804,00
  • Juros: 1%
  • Rentabilidade desses 1%: R$408,04
  • Total final no segundo mês: R$41.212,04

Percebe o que aconteceu? No segundo mês, os juros foram aplicados sobre o valor aplicado originalmente (R$40.000,00) mais o que se recebeu de juros (R$400,00), totalizando uma rentabilidade de 1% de R$40.400,00. No terceiro mês, a mesma coisa acontece. A rentabilidade de 1% é aplicada sobre R$40.804,00. E por aí vai… É o que comumente se chama por aí de juros sobre juros.

Portanto, se você precisa comprar um carro, fuja do fantasma dos juros compostos. Faça o possível para juntar o valor total e pague à vista. Se não puder esperar, opte por juntar o maior valor possível e dar uma entrada grande para diminuir o valor a ser parcelado.

Na minha opinião, o ideal mesmo é não comprar um carro zero, é comprar um usado e mais simples (ou andar de transporte público) e investir o dinheiro. Vai por mim. Uma simples mudança de hábito e uma dose cavalar de disciplina podem fazer de você um miliionário.

About The Author

Jornalista, formado em comunicação social pela UFJF, natural do interior de Minas Gerais, mas reside em Porto Velho, Rondônia desde agosto de 2008. Por 2 anos foi coordenador de marketing do Sistema Sicoob na região norte do Brasil, atendendo aos estados de Rondônia, Acre e Amazonas. Apaixonado por negócios e empresas, obcecado por formas de acumular riqueza e investimentos. Também escreve para o blog Eu Milionário.

  • Aurino

    Rízio, essa opção de juntar e comprar a vista, é sem dúvida a menos custosa e, claro, a ideal. Porém, para objetos do tipo carro ou casa, cujos valores são bem altos, conseguir juntar o valor necessário pra comprar a vista requer um auto-controle digno de monges, não?

  • Anderson Fantini

    Na realidade eu discordo com essa opção de comprar a vista seja a melhor opção, na realidade a melhor opção é usar os juros a nosso favor, estava vendo uma opção de comprar um apartamento na planta, fiquei calculando se era melhor dar os 100 mil a vista, ou fazer outro tipo de coisa, cheguei a conclusão de que se eu desse 30 mil de entrada e deixasse os 100 mil aplicados na poupança a um juros de 0.63% eu pagaria a parcela do apartamento e ainda sobraria dinheiro pra deixar aplicado alem dos 100 mil, claro que a desvalorização pela inflação vai fazer com que esses meus 100 mil virassem 50… 60 mil apos terminar o pagamento do apartamento, mais no final das contas ainda se sai ganhando.

    • http://eumilionario.com.br/ Rizio Andrade

      Anderson, não sei se na poupança seria mais interessante não… Mesmo porque a poupança não cobre hoje nem mesmo a inflação. Então, deixar de pagar no mínimo 10% de juros ao ano é melhor do que receber 6%, concorda?

      Se me disser que tem um investimento melhor, com rendimento de 1 a 2% ao mês, ai tudo bem, mas isso é para pessoas com conhecimento e experiência em investimentos.

      Para a maioria das pessoas, o ideal no início é pagar a vista mesmo, para evitar complicações com os juros compostos. Ainda mais em financiamentos de carros, com financeiras, que são bem vorazes nesse sentido…

      Abraço e obrigado pelo comentário.

  • Glória Oliveira

    Olá,
    achei interessante mas no meu caso, preciso do carro pra trabalho afinal ele paga ele mesmo entende? Estou precisando trocar meu carro por outro maior e vou finaciar pois o dinheiro que usaria na entrada investiria em mais mercadoria . Será que estou fazendo o correto ?

    Obrigada