A importância de uma entrevista de emprego bem feita, ninguém questiona. É o seu passaporte para um novo emprego e tudo precisa ser o mais perfeito possível para que ele seja logo carimbado. Mas a vida segue e depois de um tempo na empresa, seja por interesse próprio ou da instituição, chega a hora de dizer adeus. E aí?!

Há quem diga que na última semana tudo é válido, afinal, você está de saída e ninguém vai querer te demitir (ou demitir DE NOVO) por causa de qualquer comportamento seu. Eu não consigo pensar desta forma. Pra mim,  os últimos momentos na empresa são tão importantes quanto os primeiros.

Se durante o seu contrato com a empresa você quis mostrar serviço para manter seu emprego, agora, na saída, é a hora de mostrar serviço para manter seu nome no mercado de trabalho. Uma referência negativa pode travar novas conquistas, e acredite: suas últimas ações na empresa serão a impressão final que você terá deixado.

Esse problema todo com a impressão final que você deixa acontece porque muitas empresas procuram investigar um pouco mais a fundo o seu histórico profissional antes mesmo de decidir se irão te convidar para uma entrevista. Os profissionais de Recursos Humanos costumam entrar em contato com os profissionais das suas antigas empresas (mesmo que eles não estejam listados como referências) para obter informações que podem ter sido omitidas no seu currículo.

Há sempre uma boa forma para se desligar de uma empresa, independentemente de quem tiver partido a iniciativa de encerrar o contrato de trabalho, e isso requer organização, ética e profissionalismo. Não preciso nem dizer que manter o comportamento ideal no que diz respeito à assiduidade e à pontualidade, é não só dever legal do funcionário, como também o primeiro passo para ser bem lembrado, né?! Então ta!

Organizando a sua vida

Se você decide pedir demissão, você geralmente não o faz do dia para a noite. Existem obrigações jurídicas que você deve cumprir e uma delas é o aviso prévio. Se a empresa não exigir que você cumpra, sem problemas. Mas isso não o dá o direito de deixar suas atribuições de qualquer forma. De uma forma ou de outra, montei uma lista com algumas dicas de organização para quem estiver saindo da empresa.

  • E-mail
    Procure fazer uma limpeza na sua caixa de e-mail para ter a certeza de não deixar nenhuma solicitação pendente. Se houver algum e-mail pessoal (prática que eu não recomendo) que você deseja arquivar, esta é a hora para fazê-lo.  Lembre-se que apenas aquilo que é pessoal deve ser levado com você. O que é da empresa, fica na empresa.
  • Sua mesa
    Ela deve ficar em ordem, limpa, livre de qualquer pertence pessoal ou atividades pendentes. Deve ser um local livre para receber seu substituto e estar pronta para que ele comece a trabalhar.  Qualquer material da empresa necessário às suas atividades deve ser entregue ao seu superior: ele cuidará de entregar ao seu substituto.
  • O computador
    Outro aspecto muito importante. Se durante o período em que você esteve na empresa você armazenou qualquer arquivo pessoal na máquina da empresa, eu espero que você ao menos tenha criado uma pasta pessoal para armazenar todos juntos. Encaminhe estes arquivos pessoais para seu email pessoal ou utilize um dispositivo de memória (um pen drive, por exemplo) para armazená-los. Em seguida, exclua-os definitivamente do computador (não esqueça de limpar a lixeira na área de trabalho). Quaisquer arquivos da empresa, por mais interessantes que sejam, devem ser deixados para trás. Você leva consigo o que aprendeu, apenas. Arquivos necessários ao trabalho devem, sempre que possível, ser mantidos em uma pasta compartilhada na rede. Caso não exista este tipo de política de compartilhamento na empresa, procure gravar um CD com esses arquivos, e o entregue ao seu superior imediato.
  • Passando o serviço adiante
    Algumas vezes a empresa consegue captar um substituto internamente ou no mercado de trabalho com tempo hábil para treinamento antes da sua saída. Se isso ocorrer, esteja disponível para passar todas as informações importantes para o bom andamento do trabalho. Por mais que você esteja saindo da empresa, você ainda é a referência do cargo. Quanto mais informações você passar para seu substituto, menores as chances de ele precisar entrar em contato com você para tirar dúvidas.

Mas nem sempre a vida é um céu de brigadeiro e talvez você precise sair da empresa sem que o seu substituto tenha sido selecionado. Neste caso, você será sempre lembrado pela sua organização e pró-atividade:

  • Faça um manual da função
    Enumere as suas atividades diárias, as ferramentas e modelos de documentos utilizados, localização dos documentos no computador e de materiais físicos que podem ser necessários. Procure fazer isso com pelo menos uma semana de antecedência à sua saída. Este é o período em que você irá rever suas pendências e muito provavelmente executará cada uma de suas funções, facilitando o processo de elaboração do manual e evitando esquecimento de dados importantes.

Demonstrando toda a sua ética

O que é da empresa é da empresa e ponto final. Processos, modelos de documentos, sistemas, manuais, absolutamente tudo pertence à organização. Mesmo que você os tenha desenvolvido, você foi pago para fazer isso para a empresa. Você leva com você sua experiência, seus aprendizados, o conhecimento da coisa toda. Mas não leva de fato “a coisa” com você! Aliás, só pra constar, levar consigo esse tipo de informação ou ferramenta de trabalho é crime, e você não quer ser tachado/acusado de ser um criminoso, certo?! Mantenha-se ético e honesto até o último momento.

Algumas empresas têm o bom hábito de realizar entrevistas demissionais. Nestas entrevistas você pode (e deve) expor todas aquelas informações que, por falta de oportunidade ou para não gerar conflitos, você guardou consigo. Sim, aqui você pode “falar mal” do chefe! Tudo, é claro, depende da forma como você o faz. Lembre-se que esta entrevista tem por objetivo fazer com que as duas partes cresçam: você e a empresa. Esteja pronto para ouvir as críticas e estruture as suas próprias! Pense sobre o que você mudaria na empresa no que diz respeito a relacionamentos interpessoais, hierarquias, estruturas de trabalho, horários, enfim, tudo o que algum dia te incomodou. Mas não vale simplesmente soltar o verbo com inúmeras críticas e não apresentar soluções possíveis para a empresa.

Profissionalismo: a arte de manter portas e janelas abertas

Olha, eu já fui convidada a voltar a trabalhar em duas empresas onde fui estagiária. E tem uma terceira empresa, do setor público, que torce para que eu passe no próximo concurso só pra voltar a trabalhar com eles. Este tipo de elogio gera uma das melhores sensações do mundo. Sensação de dever cumprido, que cada sacrifício valeu a pena. É um grande reconhecimento profissional, um orgulho!

Para deixar as portas abertas você deve trabalhar cada dia como se fosse o primeiro e ao mesmo tempo como se fosse o último. Você quer mostrar serviço para se manter na empresa e você não quer deixar nada pendente para o dia seguinte porque ele pode não existir.

Mantenha um bom relacionamento com pessoas da empresa (não necessariamente com seu chefe, pode ser com os bons colegas que você fez) após sair da empresa. São contatos importantes e que podem ser utilizados como referências por outras empresas.

Esteja SEMPRE positivo com relação a sua atual empresa (ninguém gosta de funcionário que sai falando mal da organização por aí a fora e isso conta pontos negativos) por mais que a situação esteja impossível. E sempre se lembre dos bons momentos pessoais e profissionais que teve na antiga empresa. Isso dará a impressão de que você tem interesse de voltar a trabalhar por lá caso haja uma oportunidade. Também pode gerar uma oportunidade em outra empresa por indicação de antigos colegas.

Deixar as portas de uma empresa abertas deve ser seu objetivo independente de sua forma de desligamento: por interesse próprio ou da empresa. Nem sempre as empresas mandam um funcionário embora por falta de competência do funcionário. Existem divergências de perfil que podem, no futuro, ser muito interessantes para outros cargos e funções. Existem também os cortes de verbas que em algum momento podem cessar e gerar um convite de retorno.

Mesmo que você esteja deixando a organização insatisfeito com ela, lembre-se que os gestores mudam e isso afeta muito o clima organizacional.  Além disso, pessoas mudam e seus interesses também. O que hoje você considera como um grande defeito na empresa, amanhã pode ser seu maior interesse e necessidade. Mantenha as portas abertas: é melhor poder recusar uma oferta profissional do que não conseguir nenhuma oportunidade!