Em uma das primeiras entrevistas de emprego que eu fiz depois de formada, me foi apresentada a seguinte pergunta/proposta/problema:

“Você está trabalhando em uma fábrica de saleiros e sua função é a de testadora. Como você testa os saleiros?”

testes-01À essas alturas do campeonato eu já estava considerando a minha participação nesta entrevista uma piada. Como que um DIRETOR de uma empresa com mais de 6 mil funcionários me lança uma pergunta dessas? Veja bem, eu sou bibliotecária. Na época era uma bibliotecária recém-formada concorrendo a uma vaga de Gestora do Conhecimento. E o homem vem me falar de saleiros. A minha pífia resposta foi a seguinte (com um sorriso muito sem graça): “Agitando em cima da comida?!”.

Na época eu ainda ignorava quão importante é a fase de teste e avaliação de um produto antes de ele ser entregue ao cliente.

Após algum tempo trabalhando na empresa em questão (só Deus sabe como eu fui selecionada com uma resposta dessas), fui aprendendo a valorizar a fase de testes. Testar não é uma simples atividade, engloba todo um processo à parte que exige o entendimento dos seguintes passos:

  • Entendimento do produto
  • Planejamento
  • Elaboração
  • Execução
  • Revisão

Quando bem feitos, os testes evitam o retrabalho e prejuízo que poderiam vir a ser causados por uma verificação mais minuciosa do cliente.

Vamos então avaliar de forma bem sucinta as fases de teste mencionadas logo acima. O objetivo aqui é que cada um possa aplicar o procedimento como um todo às suas atividades diárias, no que diz respeito ao oferecimento de produtos e serviços, inclusive aos clientes internos da nossa empresa.

Entendimento do produto

Ao entendermos a fundo o produto (a que ele se dispõe, como será utilizado, etc.), começamos a perceber aonde de fato os testes são necessários. Em um projeto, geralmente temos o que é chamado de Requisitos do Produto. Esses requisitos são os primeiros (mas não únicos) pontos a serem avaliados. No exemplo do saleiro, poderíamos ter como requisitos:

  • Tipo do saleiro (De mesa? Cozinha?)
  • Capacidade do saleiro (Quantos gramas de sal aguenta?)
  • Forma de distribuição do sal (Colher? Aplicador em furos? Qual o tamanho da colher ou dos furos?)
  • Material (Vidro? Cerâmica? Porcelana? Plástico?)
  • Resistência (a quedas ou temperaturas)
  • Impermeabilidade (pra evitar ter que colocar arroz no saleiro!!!)

Enfim, esses (e talvez muitos outros) seriam os VÁRIOS os requisitos de um “simples” saleiro. E olha que aqui estamos falando apenas dos requisitos explícitos. Se a gente for falar de requisitos implícitos teríamos, por exemplo, o fato de que o saleiro não pode vazar, exceto pelo aplicador e se este for o caso.

Planejamento

Considerando o total de requisitos implícitos e explícitos, o testador deverá planejar os testes considerando todas as próximas fases, tempo que gastará em cada uma delas, ações a serem tomadas em caso de falha nos testes, tempo para re-teste e correção de defeitos, e outras fases que venha a julgar necessárias.

Elaboração

É momento em que o testador irá avaliar como cada requisitos implícito e explícito deverá ser testado. Para cada requisito deve haver no mínimo um teste. Ainda no caso dos saleiros, eles poderiam ser:

  • Tipo de saleiro: avaliação visual das características básicas do tipo de saleiro escolhido. As características deveriam ser listadas para avaliação através de um check-list, por exemplo.
  • Capacidade do saleiro: pesagem do saleiro vazio e cheio para verificar se a capacidade está de acordo com o desejado.
  • Forma de distribuição do sal: novamente pode ser feita uma avaliação visual acompanhada por check-list.
  • Material: avaliação visual.
  • Resistência: Aqui o teste poderia envolver quedas de diversas alturas, exposição a temperaturas altas ou baixas, umidade (para o caso de materiais metálicos, que possam oxidar).
  • Impermeabilidade: exposição do saleiro cheio à umidade por determinado período.

É essencial descrever os parâmetros desejados para guiá-lo na execução dos testes e compará-los com os resultados obtidos.

Execução

O testador deve considerar todo o planejamento e elaboração do teste para realização do mesmo. Os resultados devem ser registrados e analisados posteriormente.

Revisão

Este é o momento em que outro testador irá avaliar o trabalho realizado pelo companheiro. Não é a realização de novos testes, mas a verificação se tudo foi feito conforme deveria e se os resultados obtidos conferem.

Hoje, depois de passar por ciclos e mais ciclos de testes de software consigo entender a importância do processo e isso me ajuda aplicar mais atenção na finalização das minhas tarefas, revisando-as e testando-as antes de encaminhá-las pra quem quer que seja. Sim, o conceito de testes pode ser aplicado também às atividades do seu trabalho!

E você? Tem alguma técnica de revisão ou teste que utiliza no seu dia-a-dia? Compartilhe nos comentários!

About The Author

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília (UnB), atua nas áreas de gestão da qualidade e gestão da informação desde 2006. Interesse em gerência de projetos, gestão do conhecimento, sistemas de gestão da qualidade, biblioteconomia, restauração de documentos e (claro!) livros e literatura. Muito abrangente? É o poder do profissional bibliotecário, que funciona de A a Z.

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