O tema pode parecer banal. Conversei com uma amiga recentemente, e começamos a nos perguntar: o que está acontecendo com a capacidade das pessoas de se expressarem por escrito?

Somos treinados, desde pequenos, a escrever da pior forma possível, ou seja, sem planejamento. Apenas nos é dado um tema e temos que nos esforçar para criar tudo a partir daí. Quando chegamos à fase de encarar questões discursivas, seja em vestibulares ou outros concursos, percebemos que nosso preparo deixa a desejar.

Leia, leia e leia

Existe um ditado de Malba Tahan (autora do livro “O Homem que calculava”) que diz: “Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê”. Eu diria que também mal escreve, e que deveria ser proibido por lei de tentar interpretar qualquer texto. Mas vamos nos fixar no “mal escreve”.

Para escrever bem, saiba, a primeira coisa que deve ser feita é ler. Ler muito. Tenha o hábito de ler. Aliás, tenha o vício de ler. Ler muito não significa ler vinte, trinta, quarenta ou cinqüenta livros por ano. Cada pessoa tem uma velocidade própria de leitura, de absorção e de interpretação da informação, o que pode variar também de acordo com a temática da leitura. Ler muito significa gastar um tempo de qualidade com leitura.

É claro que no começo você não vai aguentar ler durante quatro ou cinco horas direto. Comece aos poucos, por quinze ou vinte minutos após o almoço, por exemplo. Procure ler sempre nos mesmos horários, pois isso te ajuda a criar um hábito.

Leia de tudo também. Livros, revistas, sites, blogs, etc., sobre os mais variados temas tal como política, religião, fofoca, sexo, futebol, etc. Leia sobre o que te interessa pessoal e profissionalmente. Leia bulas e dicionários, enciclopédias, os livros da Bíblia, seja o que for. O importante é ler. Se você quer escrever, precisa ler. (Aliás, um bom ponto de partida é ler o arquivo de textos do blog. Muitos textos são antigos, mas a maioria das temáticas abordadas continua extremamente atual, e a nossa equipe escreve bem direitinho!)

Organize suas idéias

Se você tem algo a dizer e vai fazê-lo por escrito, o primeiro passo é organizar as suas idéias.

Vale usar um rascunho, uma estrutura de tópicos no computador, um mapa mental qualquer coisa. Mas tenha suas ideias organizadas. Primeiro, faça um brainstorm e simplesmente identifique tudo o que você quer falar. Utilize nessa fase apenas palavras, conceitos-chave.

Em seguida, comece a organizá-los de maneira lógica: qual assunto remete a qual?  O que deve ser tratado primeiro para que os outros tópicos sejam bem compreendidos pelo leitor?

Depois de organizados os tópicos, comece a imaginar e registrar qual enfoque você quer dar a cada um. Vai apenas conceituar? Contextualizar? Justificar alguma coisa?

Quando essas três etapas estiverem concluídas, pense nesse rascunho ou nessa estrutura de tópicos como um roteiro a ser seguido.

Com a prática, você começará a fazer tudo isso muito automaticamente.

Ah, e se for possível, tenha sempre material de consulta ao alcance da mão: não é crime ter dúvidas. Utilizar dicionários, fazer pesquisas na internet, tudo isso faz com que você aprenda ainda mais ao escrever.

Revise o seu texto

Agora é que são elas. Essa é a hora de verificar todas aquelas miudezas que na pressa deixamos passar. Os erros mais comuns em produções de texto são:

  • Repetição de palavras
  • Repetição de idéias
  • Problemas de pontuação, gramática e ortografia
  • Descontinuidade
  • Falta de ritmo
  • Alternância entre uma linguagem muito formal e uma muito coloquial

Se for possível, peça para outra pessoa revisar seu texto (aqui no Produzindo.net, a pessoa responsável por isso é a Mahina Fava). Mas há casos que ninguém poderá fazer isso por você (tal como, por exemplo, uma redação de vestibular e concurso) e é necessário que você tenha os seus próprios critérios de revisão.

Então, aproveite o que você tem nas mãos. Faça seu rascunho caprichando como se fosse a hora “H”, mas não o passe a limpo imediatamente, pois você precisa antes fazer uma revisão. Mas espere, essa também não é a hora de fazer a revisão. Sabe aquele lanchinho que você leva pra sala, aquela garrafinha com água, suco ou refrigerante? Então. Deixe a sua prova de lado, coma um chocolate, tome uma água. Peça ao fiscal para ir ao banheiro. Dê à sua mente um descanso de dez minutos.

Quando você termina de escrever, as informações ainda estão muito vivas na sua mente. Se você descansar por dez minutos, vai conseguir identificar erros que não identificaria antes, que passariam batidos. Isso acontece porque você vai ter descansado a sua mente e esquecido de uma ou outra coisa, o que irá lhe obrigar a sair do módo de “revisão automática”.

Passados os dez minutos, muito calmamente, releia seu texto. Verifique a grafia das palavras, troque as que foram muito repetidas, reveja o ritmo e fluidez do texto. Corrija tudo o que for necessário. Repita essa revisão até que, por esgotamento, você não encontre mais falhas em seu texto. Caso faça muitas revisões, espere mais cinco minutos e comece tudo de novo. Não achou mais nenhum erro? Passe a limpo. Atentamente.

Aprenda com os erros

Se depois de publicado ou entregue, alguém apontar algum erro no seu texto, aprenda com isso.

Comece a se avaliar criticamente para identificar seus erros mais comuns. Anote-os antes de começar seu texto e tenha-os em mente durante a escrita e suas revisões.

Escreva sempre

Tenha um blog ou uma conta no twitter, colabore com um site na internet. Escreva cartas, opiniões sobre os lugares que você freqüenta, os serviços que você utiliza, os produtos que você compra. Escreva em vários estilos: não se prenda ao jornalismo ou aos e-mails de todo dia.

Quanto mais você lê e mais você escreve, melhor você faz cada um dos dois.

Palavrinha da Revisora (Mahina Fava)

Os textos do Produzindo.net possuem linguagem coloquial, diferente da que você utilizaria numa redação para concurso, por exemplo. Desde sua popularização, a internet vem criando novas formas de expressão. São comuns abreviações como “vc”, “tbm” e “eh”, e estrangeirismos como “twittar” e “fazer um upload”. Além disso, a linguagem utilizada na internet é bem mais próxima daquela que utilizamos em nosso dia a dia: ela quase incorpora o jeito que falamos. Expressões como “a gente”, “né” e “pra” não fazem parte da norma padrão culta!

Fique ligado quando for utilizar textos de internet como base para estudos e preste atenção no quanto a linguagem (seja ela escrita ou falada) varia de acordo com o meio que é utilizada, a cultura, a classe social e até a profissão. Por isso a norma padrão culta deve ser seguida quando a ocasião for de avaliação, ou para escrever um projeto, por exemplo. Perceber essas nuances e variações vai tornar a “tarefa” da escrita muito mais divertida, prazerosa e eficiente!

About The Author

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília (UnB), atua nas áreas de gestão da qualidade e gestão da informação desde 2006. Interesse em gerência de projetos, gestão do conhecimento, sistemas de gestão da qualidade, biblioteconomia, restauração de documentos e (claro!) livros e literatura. Muito abrangente? É o poder do profissional bibliotecário, que funciona de A a Z.

8 Responses

  1. Henrique Donatto

    Deixo um texto para refletir. Mais importante que ler, ler e ler sem parar… é refletir, pensar.

    Fragmentos (Arthur Schopenhauer)
    Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a informação, não a instrução. Sua honra é baseada no fato de terem informações sobre tudo, sobre todas as pedras, ou plantas, ou batalhas, ou experiências, sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. Não ocorre a eles que a informação é um mero meio para a instrução, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma, no entanto é essa maneira de pensar que caracteriza uma cabeça filosófica. Diante da imponente erudição de tais sabichões, às vezes digo para mim mesmo: Ah, essa pessoa deve ter pensando muito pouco para poder ter lido tanto! Até mesmo quando se relata, a respeito de Plínio, o Velho, que ele lia sem parar ou mandava que lessem para ele, seja à mesa, em viagens ou no banheiro, sinto a necessidade de me perguntar se o homem tinha tanta falta de pensamentos alheios, como é preciso dar a quem sofre de tuberculose um caldo para manter sua vida. E nem a sua credulidade sem critérios, nem o seu estilo de coletânea, extremamente repugnante, difícil de entender e sem desenvolvimento contribuem para me dar um alto conceito do pensamento próprio desse escritor.

  2. Cíntia

    Muito interessante! Com o advento da internet e das redes colaborativas, as pessoas têm tido a oportunidade de se expressar mais facilmente e compartilhar suas ideias com o mundo. No entanto, não é fácil colocar no papel (no caso, na rede) as ideias e argumentos de forma organizada. Muitas vezes, uma dificuldade de expressão pode causa mal entendidos e discussões desnecessárias.
    Por isso, é muito importante (em vários segmentos da vida), que a gente leia mais e ouça mais antes de definir uma opinião. Estar ligado em sites de notícias, jornais, ler blogs, artigos e ter o hábito de uma leitura prazerosa, só nos enriquece.
    Abs!

  3. Jônatas

    Oi Talita,
    Muito oportunas suas dicas.
    Realmente, para escrever é preciso ler, hábito de poucos em nosso pais.

    Abraço!

  4. Luiz Felipe

    Realmente, ler é muito importante. Te ensina novas culturas, novos dilemas, novos pensamentos. As vezes uma frase leva você a um insight ou o click que você procurava. Uns leêm para relaxar, outros estudar, outros descobrir novos mundos. Cada um com seu objetivo. O importante é gostar de ler!

    • tata

      EU TAMBÉM AXO E RESPEITO A OPINIAO DELA MAS AXO Q GOSTO MAIS DE ESCREVER EU APRENDI A ESCREVER OQ PENSO E OQ SINTO NA FOLHA E ISSO É MUITO IMPORTANTE PRA MIM

  5. tata

    AS VEZES AXO Q DEVEMOS PENSAR ANTES DE AGIR AS VEZES AXO Q A VIDA É FEITA PARA SER VIVIDA E APREDIDA SE VC PENSA NO FUTURO VC NAUM VAI SE IMPORTAR COM O PRESENTE Q É O MAIS IMPORTANTE VIVA O AGORA E NAUM SE PREUCUPE COM O DEPOIS