No meu último texto (“Você sabe se manter concentrado no trabalho?“) falei sobre como evitar o que pode nos distrair no trabalho. Mas, eventualmente, surgirá alguma interrupção e nessa hora não adianta dar chilique, bater o pé, fazer manha e… Bom, você já é bem grandinho pra isso!

Para cada tipo de interrupção existe uma maneira adequada de se portar. Quer ver?

Seu chefe chega à sua estação de trabalho. Chefe é chefe. Ele não é um ser supremo, mas seu emprego ainda depende dele. O ideal é que você pare o que estiver fazendo de imediato, salve as alterações, e comece a se comunicar com ele. Não julgo necessário que você se levante, nem nada do gênero, mas é importante manter a sua atenção no que o seu chefe diz e anotar o que for necessário. Quando seu chefe se retirar, retorne imediatamente ao que estava fazendo. Se seu chefe tiver lhe atribuído alguma tarefa urgente, é a ela que você deve se dedicar.

Seu chefe chega à sua estação de trabalho… para papear! A boa notícia é que isso significa que existe um bom relacionamento entre as hierarquias da empresa. A má notícia é que você não é pago para ser amigo do chefe. Mantenha a mesma postura profissional do primeiro caso. Quando você perceber que o assunto não é profissional, diga com calma e claramente, e com muita educação, que você está com um prazo meio apertado e precisa terminar a tarefa. Se você se sentir mais confortável, marque um café mais tarde com seu chefe. Ele certamente vai entender e você pode até ganhar pontos: afinal, não está usando o chefe como desculpa para procrastinar trabalho.

Seu colega chega à sua estação de trabalho. As regras são muito semelhantes às do primeiro caso. A diferença é que, por não existir um relacionamento hierárquico, você tem certa flexibilidade para terminar de digitar uma frase ou concluir alguma atividade curtinha. Basta pedir para que seu colega aguarde alguns instantes. Concluída sua atividade, volte sua atenção para seu colega. Se o assunto for uma dúvida rápida, que possa ser sanada de imediato, colabore com ele. Caso o assunto demande muito da sua atenção, tempo e até deslocamento físico, peça ao seu colega o tempo necessário para que você conclua o que está fazendo e depois vá ao encontro dele. Mas lembre-se de cumprir com sua palavra para não perder credibilidade.

Seu colega chega à sua estação de trabalho… para papear! Manter um bom relacionamento com seus colegas de trabalho é essencial para sua carreira. Mas todo bom relacionamento deve contar com sinceridade. Então, você parou o que estava fazendo para dar ouvidos ao seu colega e percebeu que o que ele quer é te contar as aventuras do fim de semana ou comentar aquele e-mail engraçadinho do dia. Sua atitude aqui vai ser a mesma que você teria com seu chefe: seja educado e explique que você tem uma tarefa a cumprir e marque outro horário para conversar.

Seu subordinado chega à sua estação de trabalho. Eu diria que se o seu subordinado chegou a sua mesa, é melhor você dar atenção para ele mais rápido do que daria ao seu chefe. É que, sabe… Ele pode estar à toa! Brincadeiras à parte, tenha pelo seu subordinado o mesmo respeito que você tem com seu chefe e com seus colegas. Não é horrível quando você quer tirar uma dúvida com seu chefe e ele nem levanta a cabeça para falar com você? O sentimento aqui é o mesmo. Então escute atentamente ao seu subordinado. A única diferença de tratamento aqui, é que você só deve deixar a dúvida do seu subordinado para depois se estiver de fato muito apertado com seu prazo. Do contrário, deixe um pouco de lado suas atividades. Lembre-se que o que o seu subordinado faz na empresa também é visto pelo seu chefe como responsabilidade sua!

Seu subordinado chega à sua estação de trabalho… para papear?! É. Os tempos mudaram e agora tem gente que acha bacana largar o serviço e PAPEAR COM O CHEFE. É mole? Bom. Me desculpe, mas eu acho que a culpa é sua. Por dois motivos

  1. Você está deixando a relação hierárquica se perder, deixando que ela se transforme em uma relação de amizade. Você é chefe: não precisa ser grosso, nem mal educado, mas deve saber manter o relacionamento profissional adequado.
  2. Você não está aproveitando seu funcionário como deveria. Se ele está tendo tempo de ir à sua mesa conversar, pense em quantas mesas ele já não passou antes? Está na hora de perguntar, gentilmente, se o seu funcionário já concluiu todas as atividades, atribuir outras e gerenciar mais de perto esse cara!

Em qualquer um dos casos, lembre-se que por mais ocupado, concentrado ou atrasado que você esteja, educação é fundamental. É importante que você sempre reaja de forma profissional às interrupções que podem ocorrer no seu dia-a-dia. Isso porque você deve contribuir para um ambiente de trabalho e clima organizacional bacana. Seus colegas dependem de você para isso. E também porque no ambiente de trabalho você é avaliado e julgado constantemente.

About The Author

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília (UnB), atua nas áreas de gestão da qualidade e gestão da informação desde 2006. Interesse em gerência de projetos, gestão do conhecimento, sistemas de gestão da qualidade, biblioteconomia, restauração de documentos e (claro!) livros e literatura. Muito abrangente? É o poder do profissional bibliotecário, que funciona de A a Z.

3 Responses

  1. Cristiane

    E como fazer quando vc trabalha em uma mesma sala com muitas pessoas, e elas te interrompem, de lá do lugar delas?

    • Bernardo Pina

      Não sei a opinião da Talita, mas a estratégia que eu sempre utilizo (com muito sucesso, diga-se de passagem) é trabalhar ouvindo música, com um fone de ouvido bem grande, bem vistoso.

      Dessa forma, as pessoas ao meu redor entendem que eu estou concentrado e geralmente me deixam em paz. Na maioria das vezes, quem chama de longe acaba desistindo de me chamar (porque eu não ouço, e se ouço, faço “ouvido de mercador”).

      Se ainda assim, alguém insiste em vir à minha mesa para me chamar, eu calmamente tiro o fone e aplico as técnicas informadas pela Talita no texto.

      Funciona para mim. =)

      • Talita James

        Bernardo,

        A dica do fone é sempre interessante. O problema é que em alguns ambientes de trabalho/profissões a interação humana é imprescindível e a presença do fone de ouvido pode atrapalhar. Em ambientes de trabalho muito formais, também não é muito recomendável. Alguns chefes ABOMINAM o uso do fone de ouvido no trabalho. Então, a gente precisa buscar uma outra alternativa pra quem não pode lançar mão dos fones!

        Cristiane,

        Trabalhar nesse tipo de ambiente “feira livre” é realmente complicado. Infelizmente, nem todo mundo tem educação e respeito pelo outro em quantidade suficiente pra saber trabalhar em ambientes abertos, amplos.

        Acho que em uma situação dessas eu tentaria mostrar qual a melhor postura, sabe? Por exemplo: a pessoa gritou seu nome, do outro lado da sala, para conseguir sua atenção. Ao invés de continuar a conversa gritando, acho que eu utilizaria o ramal da minha mesa para falar com a pessoa no ramal dela. Se não houvesse ramal, acho que eu me levantaria e iria até a mesa da pessoa, antes mesmo de responder. Pode parecer irritante ou cansativo. Mas depois de algum tempo, acredito que seus colegas comecem a perceber que você se desloca mesmo quando o interesse é deles. E é bem provável que comecem a se deslocar até sua mesa, ao invés de fazer você se levantar.

        E outra: alguém, em algum momento, vai te dizer “nossa, não precisava vir até aqui”. É a sua deixa pra responder “é que eu sempre acho que posso atrapalhar alguém com essa conversa em voz alta…” E pra bom entendedor…

        A mudança de cultura no ambiente organizacional é um trabalho de formiguinha: aos poucos e contínuo. Mas precisa começar em algum momento. =)