A maioria das empresas utiliza a análise de currículos como primeira etapa do processo seletivo de sua força de trabalho. Então, é fato: se seu currículo não for no mínimo bom, você provavelmente será eliminado do processo seletivo na sua primeira etapa.

Sempre achei muito complicado fazer currículo, e durante muito tempo cometi falhas (umas maiores, outras menores) que podem ter me afastado de cargos que eu realmente desejava. Aproveitei o tempo em que trabalhei com uma excelente analista de RH e fiz uma mudança geral no meu currículo. O resultado? Em uma das últimas entrevistas de emprego que eu participei, a gerente de RH que me entrevistava acabou elogiando meu currículo, tanto pela minha formação quanto pela formatação do documento.

Então, segue uma lista de dicas para melhorar seu currículo!

 

Dados pessoais

Esqueça a idéia de colocar dados como RG, CPF, endereço residencial completo, filiação, tipo sanguíneo, religião, peso, altura…

As informações sobre seus documentos, família, e saúde só serão necessárias à empresa quando ela decidir pela sua contratação. Nesta ocasião, os documentos serão solicitados. Então, nada de informação desnecessária. Aliás…

Tamanho não é documento!

A primeira coisa que eu aprendi sobre meu currículo foi: menos é mais. Não queira um currículo com mais de 2 páginas. Principalmente se você estiver em início de carreira. Os gerentes de RH procuram currículos cuja leitura seja fácil e breve. Eles não podem se dar ao luxo de ler 5 ou 6 páginas a seu respeito, por mais adequado que você seja ao cargo. Seu currículo deve ser conciso, de leitura fácil, com ênfase nas informações corretas.

Informações sobre sua aparência só são necessárias se você almeja um cargo que depende dela. Mas tenha cuidado mesmo assim: secretárias e recepcionistas dependem de sua aparência, mas nem por isso precisam explicitar no currículo o manequim que vestem ou quanto calçam!

Algumas vezes, as empresas podem solicitar currículos com fotos. A prática é bem comum para cargos como vendedores, representantes comerciais, secretárias, recepcionistas… enfim, pessoas que irão trabalhar diretamente com cliente e que devem representar a imagem da empresa.

Quando as empresas pedem fotos em currículos, acredite, elas não querem ver as suas fotos do Orkut ou Facebook. Uma foto 3×4 bem tirada é suficiente para mostrar que você tem boa aparência e pode representar muito bem a imagem da empresa. Invista em uma boa foto 3×4 No dia da foto, lave e penteie os cabelos, faça uma maquiagem leve – no caso das mulheres – e vista uma roupa de cor agradável aos olhos. Qualquer tom neon não vale, ok?! Se ficar na duvida sobre a cor, escolha um pretinho básico! E fuja do branco, que é a cor de fundo das cabines de fotos 3×4.

Então… que informações pessoais eu devo colocar no currículo???

  • Nome completo
  • Telefone fixo
  • Telefone celular
  • E-mail para contato

Uma dica interessante é utilizar essas informações para fazer um cabeçalho na página inicial do seu currículo. Dessa forma, você dá um grande destaque às informações que o pessoal do RH precisa ter com mais facilidade na hora de te achar.

NOME COMPLETO AQUI

(XX) XXXX-XXXX / (XX) XXXX-XXXX

email@email.email 

Não fique com medo de estar omitindo informações, porque não é isso que você está fazendo! O que você está fazendo é dar mais destaque às informações mais relevantes. E lembre-se: você está deixando seus contatos justamente para que as pessoas possam conversar com você e ter mais informações a seu respeito.

Só deixe telefones nos quais você pode ser encontrado ou receberá os recados. E só deixe seu e-mail se você costuma acessá-lo ao menos a cada 2 dias.

Formação acadêmica

Esse é o espaço pra você expor o quanto você estudou. Antigamente, as pessoas listavam todos os graus de formação obtidos, com suas respectivas instituições de ensino.

Hoje, a coisa é um pouco diferente. Então, se você tem mestrado, doutorado e especializações além da sua graduação no ensino superior, liste todas, das mais recentes às mais antigas.

Se você possui exclusivamente a graduação em nível superior, as informações sobre esta graduação são suficientes para seu currículo. Se sua graduação está em andamento, é interessante passar as informações sobre sua formação de ensino médio, e também a data provável de formatura e semestre em curso.  A mesma regra vale para quem está cursando o ensino médio.

As informações importantes sobre formação acadêmica para o currículo são:

  • Nome do curso
  • Instituição de ensino
  • Data de conclusão ou data provável de conclusão

Informações sobre o tema da sua monografia, ou seu orientador são interessantes apenas no seu Currículo Lattes (http://lattes.cnpq.br/) ou se você almeja uma vaga no mundo acadêmico. No geral, as empresas não dão muito valor a este tipo de informação ou a buscam durante a entrevista, quando você pode explicar muito melhor do que se tratou sua pesquisa.

Uma boa dica é agrupar as informações por “diploma” obtido, com os dados sempre na mesma ordem. Exemplo: 

  • Mestrado em ____________, com previsão de conclusão em mês/ano, pela instituição tal.
  • Pós-graduação em _________________, concluída em mês/ano, pela instituição tal.
  • Graduação em ____________, concluída em mês/ano, pela instituição tal.

E minha formação extra-curricular???

A formação extra-curricular, como cursos de idiomas, informática ou seminários dos quais você participou, serão listados em outro momento. Deixe esta informação, que geralmente faz parte de uma busca mais objetiva das empresas com um certo destaque no seu currículo.

Experiência profissional

Uma das partes mais delicadas do currículo. Por quê? Bem… Você precisa de experiência. Mas muita experiência pode assustar!

Mas é possível encontrar o equilíbrio. Vamos por partes

1) “Nunca trabalhei na vida e não tenho experiência. E agora?”

A má notícia é que pouquíssimas empresas contratam pessoas sem experiência. A boa notícia é que você não precisa ter trabalhado formalmente pra ter experiência!!!

Se você nunca trabalhou esqueça o termo EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL. Pense apenas em EXPERIÊNCIA.

Se você organizar suas idéias vai identificar muitas coisas que você fez como favores e que depõem a seu favor.

Quer alguns exemplos?

  • monitoria escolar: existe aquela formal, que o professor ou a escola coordenam, e tem aquele estudo em grupo informal, em que você ajuda seus amigos a passarem no fim do ano. Lembre-se de colocar no seu currículo se foi algo organizado por você (e seus amigos) ou pelo professor (junto à escola).
  • trabalhos voluntários: você pode procurar em igrejas e ONGs. Acredite: sempre tem alguma coisa pra fazer. E você contribui da forma como pode, com o tempo que pode.
  • digitação de trabalhos: às vezes você nem percebe o quanto a sua família ou seus amigos te pedem isso. Mas esses pequenos trabalhos de digitação demonstram habilidade com ferramentas de edição de texto.

Até um site que você tenha elaborado, um blog que você mantém ou colabora com textos pode ser citado como uma experiência (não profissional). Eu coloco sempre a minha participação no Produzindo.net no currículo. =)

2) “Pulei de empresa em empresa em busca de melhores oportunidades e meu currículo está muito extenso. E agora?”

Muitas empresas não valorizam essa falta de constância de quem pula de emprego em emrpego. A sensação que você passa é que, caso seja contratado pela empresa, só vai se empenhar em procurar coisas melhores FORA dela. Ninguém quer investir em alguém que não vai dar retorno, certo?

Porém, esse tipo de comportamento é muito comum em áreas em que a oferta de emprego é abundante porque faltam profissionais especializados. A minha área de formação (biblioteconomia) costuma ser assim: temos muita oferta de estágio durante a faculdade, e uma boa oferta de emprego. Porém, como os salários não são muito atrativos, os profissionais acabam entrando em um esquema de “leilão” que pode manchar o currículo.

Tenha em mente o seguinte: Se você já passou da fase dos estágios e tem uns 2 anos de empregos formais, pode começar a não colocar as informações de estágio em seu currículo. Por mais legais que tenham sido as suas atribuições e atividades desenvolvidas, você não está mais procurando estágio. E isso já vai reduzir consideravelmente o impacto visual que o excesso de experiência profissional pode causar.

Qualquer local em que você tenha trabalhado, mesmo com carteira assinada, e não tenha cumprido o tempo de experiência (geralmente 45 dias, renovado por mais 45 dias), não precisa ser declarado no seu currículo também. Afinal, em 3 meses você dificilmente entendeu toda a organização da empresa e a complexidade de suas atribuições nela. E o período de experiência é tanto seu quanto da empresa.

Agora os demais, você deve colocar sim. Mesmo que não tenha chegado a completar um ano na empresa.

Existe uma maneira de deixar claro para quem faz a analise curricular que não é seu objetivo continuar pulando de empresa em empresa fazendo leilão de si mesmo. Você pode criar uma área no seu currículo para OBJETIVOS PROFISSIONAIS, logo depois dos seus dados pessoais, em que você vai descrever brevemente o que você quer. Por exemplo: Trabalhar em empresa de pequeno/médio/grande porte, com oportunidades de desenvolvimento profissional, em determinada área de atuação.

O fato de você querer oportunidades de desenvolvimento profissional demonstra que você deseja fazer carreira em uma empresa. Só não vale colocar isso no currículo sem que seja verdade. Lembre-se que você muito provavelmente irá passar por uma entrevista presencial que pode fazer com que o pessoal do RH perceba que você quer continuar no “leilão”!

Definidas as experiências que você vai colocar no seu currículo, você deve organizá-las de maneira lógica e objetiva.

As informações que são necessárias são:

  • Instituição ou empresa para qual você trabalhou
  • Período durante o qual você trabalhou
  • Cargo ocupado
  • Atribuições ou atividades desenvolvidas

Disponha as informações em ordem cronológica, da mais recente até a mais antiga, e descreva as suas atividades da forma mais objetiva, utilizando a linguagem e códigos comuns da área de atuação.

Um bom exemplo de formatação é o seguinte:

Empresa tal – de mês/ano a mês/ano
Cargo: estagiário
Atividades desenvolvidas:
- Apoio às atividades de…
- Manutenção de…
- Organização de…

Você não precisa citar contatos profissionais nesta parte do seu currículo. Isso pode ser feito em outro momento. Aqui, o foco é apresentar o que você realmente já fez.

Formação extra-curricular

Agora sim é a hora de listar os cursos, seminários, palestras… São os investimentos que você fez na sua carreira pra se manter atualizado, buscar aperfeiçoamento ou aprofundamento em determinado tema.

Descreva-os de forma objetiva, listando-os dos mais recentes aos mais antigos.

As informações mais preciosas para eventos são:

  • Nome do evento
  • Data
  • local
  • Instituição organizadora
  • Carga horária

No caso do evento ser uma palestra, cite o nome do palestrante.

Para cursos, as informações são as seguintes

  • Nome do curso
  • Período em que foi cursado ou concluído
  • Instituição
  • Carga horária

Caso o curso tenha sido ministrado por alguém de renome na sua área, acrescente esta informação também.

Outras experiências

Este é o espaço para declarar tudo aquilo que você sabe fazer e aprendeu com a vida, sem aulas formais ou instrutores. O exemplo mais clássico é toda a experiência que você tem em softwares de informática sem nunca ter feito um único curso sequer. Também vale para aquele idioma que você estudou um ou dois semestres na faculdade ou na escola, não tem diploma, mas que tem determinada proficiência.

É muito, muito, muito importante que você seja sincero com você mesmo á respeito dessas experiências.

Não adianta colocar no currículo que você entende muito de planilhas eletrônicas se você chora de medo ao ter que digitar uma fórmula ou fazer um gráfico. Essas habilidades podem ser testadas em entrevistas ou provas antes da entrevista. A última coisa que você quer é passar vergonha, certo?

Então pense: se você tem um conhecimento básico de um determinado idioma e acha isso interessante para seu currículo, um diferencial, use! Mas lembre-se de ser sincero e detalhar o seu grau de conhecimento. Expressões como “conhecimentos básicos” ou “apenas leitura” são o suficiente para mostrar isso.

E se você é um verdadeiro mestre em algum software, por exemplo, mostre isso ao mundo! Especifique a versão do software com o qual você está acostumado a trabalhar e diga claramente “conhecimentos avançados” ou “domínio pleno”. E esteja pronto para ser questionado a respeito dessas capacidades!

Habilidades

Os modelos de currículos antigamente utilizavam lista de habilidades pessoais. Eram características que o candidato admirava em si mesmo e julgava serem interessantes para o cargo desejado.

A verdade é que, como muitas empresas possuem especialistas em RH (geralmente com formação em psicologia) essas listas de habilidades não têm muito valor. Os entrevistadores conseguem identificá-las nos primeiros minutos de entrevista. E muitas vezes eles identificam em você coisas que nem você sabe a seu respeito!

Eu aboli as listas de habilidades do meu currículo por este motivo. E também pelo fato de que, por não ser especialista em RH, eu não sei que habilidades a empresa espera para aquele cargo. Uma característica que eu julgo excelente em mim pode ser péssima para determinados cargos. É preferível que um profissional especializado identifique se eu tenho ou não o perfil adequado!

Referências profissionais

As referências profissionais são ainda muito utilizadas pelos profissionais de RH. Sim, eles ligam mesmo para as pessoas que indicamos em nossos currículos! E obtêm informações à respeito da nossa postura profissional e tudo mais.

Quando escolher suas referências profissionais, tenha em mente:

  • Referências profissionais não devem ser seus amigos ou parentes. Quanto menos a pessoa souber da sua vida pessoal, melhor.
  • Escolha pessoas para as quais você trabalhou e sente que trabalhou bem. Aquelas pessoas que lhe deram feedback positivo sobre suas ações.
  • Escolha pessoas que tenham experiência com gerência ou gestão de pessoas. Ou até mesmo alguém do RH. São pessoas que vão saber tratar profissionalmente com outros recrutadores interessados em você.
  • Nunca use como referência profissional alguém da empresa para a qual você trabalha atualmente.
  • Pergunte às pessoas se você pode citá-las como referência profissional, e mantenha contato com elas para que informações como telefones e e-mails estejam sempre corretos.

 

Dicas finais

Seu currículo precisa estar sempre atualizado: você nunca sabe quando alguém vai solicitá-lo e se deixar para atualizar em cima da hora você não terá tempo para revisá-lo. Atualizar sempre que mudar de cargo, ou receber novas atribuições no trabalho é uma boa estratégia… assim, você não esquece de citar algo que possa ser importante!

Sobre a revisão, peça a alguém de sua confiança, que tenha bons conhecimentos de português, para fazer uma revisão ortográfica no seu currículo.

Currículos devem ter data. Isso porque muitos profissionais de RH costumam fazer um banco de currículos e precisam saber quão atualizada está a informação que eles têm em mãos. Do contrário, eles simplesmente guardam por um tempo, esquecem a quanto tempo eles tem o currículo e depois o jogam fora!

Se você entregar um currículo pessoalmente aproveite a ocasião pra criar uma boa primeira impressão. Não interessa se você não vai conhecer o profissional responsável pela contratação naquele momento. Mas pode ser que ele o veja. Ou que a pessoa que recebeu seu currículo comente algo positivo a seu respeito, pelo simples fato de que você estava bem arrumado ou foi bem educado.

Quando for enviar seu currículo pela internet, lembre-se de nomear com muito cuidado o arquivo do seu currículo. Quanto mais óbvio o nome do arquivo melhor. Então, nomeie seu currículo com seu nome completo, hífen, cargo desejado. Assim, os responsáveis pela seleção provavelmente vão dar preferência ao seu currículo na hora da leitura, pelo simples fato de que eles já sabem do que se trata. Utilize a mesma estratégia para dar título ao seu e-mail “Currículo visando (nome da vaga)” é um bom título.

No texto do seu e-mail, apresente-se. Diga onde encontrou a informação sobre a vaga ou porque simplesmente gostaria de trabalhar na empresa quando houver vagas disponíveis. Use uma linguagem simples, objetiva, e seja educado. É tudo que esperam de você!

E lembre-se de anexar o arquivo!!!

Utilize um e-mail para fins profissionais. Qualquer usuário que envolva apelidos, diminutivos, sua banda favorita ou esporte deve ficar para uso exclusivo de seus amigos. Um bom e-mail profissional pode ser formado por seu nome e sobrenome, ou iniciais. Gosto da opção nome e sobrenome porque quanto mais você fixá-lo para os responsáveis pela seleção, mais difícil eles esquecerem de você quando estiverem analisando 50 ou 500 currículos! Você cria uma espécie de marca pessoal.

Sendo bem objetivo e claro nas suas informações, as empresas sentirão vontade de te conhecer melhor em uma entrevista, e suas chances de ser contratado aumentam muito.

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Sucesso na atualização do currículo!

  • Sergio Donato Marques Moura

    Bacharel em Ciências Socias e Jurídicas pela Universidade Anhembi Morumbi(SP),Pós Graduado (cursando)em Direito Tributário (Universidade Presbiteriana Mackenzie)-SP. Interesse em Gestão da Qualidade, Segurança Pública.

    “A cultura do conher é a força do amanhã”