A maior ilusão de um profissional é achar que um dia, um belo dia, ele se encontrará trabalhando em um local livre de conflitos.

Por mais que pareça loucura, conflitos são necessários para o crescimento das organizações e dos funcionários.  São conflitos criativos que levam as pessoas a pensarem nas melhores soluções e idéias. O problema é que a maioria das pessoas não sabe lidar com conflitos nos seus locais de trabalho e os tratam não como oportunidades de crescimento, mas como verdadeiras brigas pessoais.

 

Diferenciando conflitos

Nenhum local de trabalho é um “céu de brigadeiro”. Em todos eles vamos encontrar conflitos de ordem profissional e de ordem pessoal.

O que precisa ser feito inicialmente é identificar se o conflito que se anuncia é de ordem pessoal ou profissional, para saber como agir.

Conflitos Pessoais

Os conflitos de ordem pessoal podem ocorrer entre colegas de mesmo nível hierárquico, com grau de subordinação, e até de equipes ou áreas de trabalho diferentes e independentes.

São conflitos cuja origem nada tem a ver com o trabalho, mas que, quando alimentados, podem afetar e muito as atividades de pessoas que nem estão envolvidas no conflito.

Podem começar por qualquer motivo. Desde uma divergência de opinião sobre futebol, religião, política, ou até mesmo uma cara fechada no refeitório da empresa, uma batida de carro no estacionamento, e tantos outros.

O mais engraçado sobre esses conflitos é que, aparentemente, eles não têm a menor importância, mas conseguem atrapalhar rotinas inteiras se não forem solucionados adequadamente.

Quando você identificar que se envolveu (ou foi envolvido) em um conflito de ordem pessoal, antes de fechar a cara, resolver não falar nunca mais com a pessoa e dizer que está de mal pra sempre… Respire. Lembre-se: você não está na pré-escola. E até na pré-escola os conflitos pessoais precisam ser resolvidos.

Também não saia correndo pra tirar satisfações com ninguém, ok?! Isso pode ter o efeito contrário ao esperado.

Antes de qualquer ação, investigue os motivos do conflito. Eles podem estar em você, em outra pessoa, em todo mundo. Se for algo em você, nas suas atitudes, e que você perceba que é justo tentar se adaptar a uma nova postura, invista nisso. E olha, ninguém precisa ficar sabendo, ok? As pessoas perceberão sozinhas e a tendência é o conflito se resolver. Ou melhor, se dissolver.

Se você identificar que o problema não está em você, bem, cuidado. Para o problema não estar em você, perceba se suas atitudes são compatíveis com a cultura organizacional da empresa. Será que todos agem assim como você? Se sim, então vamos adiante.

Existindo uma cultura, um padrão de comportamento tido como aceitável e estando você dentro desses padrões, chega a hora de você conversar sobre o problema. Mas afinal, com quem?

  1. Seu chefe?
  2. Os chefes dos outros envolvidos no conflito?
  3. Um colega?
  4. Os outros envolvidos no conflito?

Existe um momento para falar com cada um deles. E preste atenção na ordem a ser seguida, pra não piorar a situação.

Inicialmente, procure conversar aberta e educadamente com os outros envolvidos no conflito, preferencialmente um por um, para tentar entender o que está acontecendo e resolver o problema. Tente ir “desarmado” para a conversa. Seu objetivo é entender o lado das outras pessoas e não fazer com que o seu seja entendido. 

Compreendeu o lado dos outros? Demonstre isso! A empatia dobra as pessoas e a negociação vai se tornar muito mais simples se você realmente demonstrar que entendeu o lado do outro.

Mas agora chegou a hora de mostrar que você também tem um ponto. Se você ouviu atentamente as pessoas, sem as interromper, a tendência é que elas façam o mesmo por você. Tendência. Nem todo mundo segue, então esteja preparado para ser interrompido e NÃO PERDER A PACIÊNCIA!!!

Mostrou seu lado? Chegou a hora da negociação. Ambos precisam abrir mão de alguma coisa. A menos que logo de início um tenha convencido o outro de seu ponto de vista, avalie o que você pode fazer ou abrir mão e esteja verdadeiramente disposto a fazer isso. Mesmo se você tem certeza que está certo. Seu objetivo não é provar que está certo, é resolver um conflito para que o ambiente de trabalho continue agradável.

A negociação deu certo? Ótimo! Não deu? Considere a possibilidade de conversar com um colega sobre o assunto.

Escolha alguém que tenha por característica a imparcialidade. Ele pode te ajudar a ver aspectos do problema que você não estava conseguindo enxergar. Se for uma pessoa que tenha tanta liberdade com você quanto com os outros envolvidos no conflito, é ótimo. Muito provavelmente você poderá contar com essa pessoa para intermediar uma conciliação.

Mas lembre-se de fugir dos fofoqueiros da empresa. A rádio-corredor só inflama os conflitos pessoais, e um problema que tem as dimensões da cabeça de um alfinete pode se transformar em um caminhão de problemas.

Se ainda assim não der certo… Conte com o apoio da hierarquia.

Fale única e exclusivamente com o seu próprio chefe. Explique a natureza do conflito e que você teme que ele possa gerar algum tipo de dificuldade de trabalho. A partir daí, seu chefe deverá evitar que surjam as dificuldades de trabalho, tomando algumas decisões como as de evitar contato direto entre você e o os outros envolvidos no conflito. Ou acompanhar pessoalmente o que depender da participação de ambos. Em casos extremos, pode ser que seu chefe resolva conversar com os outros envolvidos (ou no caso de hierarquias diferentes, conversar com os chefes dos outros envolvidos). Mas lembre-se: não cabe a você conversar com mais ninguém sobre o problema. Quanto menos comentado, menos alimentado.

Se ainda assim as coisas não se resolverem, pense que pode ser que o foco da organização, no momento, não seja a resolução do seu conflito. Continue fazendo (muito) bem o seu trabalho, sempre buscando registros e evidências de que tudo está sendo feito ou solicitado. E-mails são uma excelente ferramenta para isso.

Conflitos Profissionais

Os conflitos profissionais são aqueles que surgem, geralmente, por alguma divergência de pensamento com relação ao trabalho. Antes que isso se torne uma briguinha pessoal, transforme o conflito em um conflito criativo. Uma oportunidade de se encontrar excelentes soluções de problemas e idéias para o crescimento da organização.

Converse diretamente com os envolvidos no conflito e marque uma reunião para discutirem melhor as idéias, formalmente, e tomarem decisões.

A idéia é convocar para uma reunião as pessoas que podem ser afetadas pelo conflito profissional. Podem ser os membros de uma equipe, ou os envolvidos em um projeto. O interessante é que todos participem. 

Como todos os envolvidos juntos é possível coordenar um brainstorm, por exemplo, para que todos dêem suas sugestões. Mais cabeças juntas estarão prontas para identificar mais facilmente os prós e contras de cada idéia exposta.

Apresente suas idéias de forma lógica e organizada. Venda-as. Se você acredita nelas, faça as outras pessoas entenderem o porquê e começarem a acreditar também.

Mas também esteja pronto para ver que suas idéias não são tão boas. Isso pode acontecer com mais freqüência do que se imagina.

Apenas tenha a certeza que as decisões tomadas assim, em grupo, tendem a dar mais certo, agradar mais a equipe e gerar um ambiente de trabalho mais agradável. A melhor coisa mesmo a se fazer é evitar se colocar em situações de conflito. Mas como isso nem sempre é possível, tratá-los de forma madura pode abrir muitas portas na sua carreira. 

A questão não é sobre quem está certo ou errado. Mas sobre quem quer resolver o problema!