Ouvimos tanto falar do termo “Geração Y” e muita gente ainda não sabe o que é isso. Se começarmos a falar também sobre “Geração Z”, menos pessoas ainda conhecem o significado e impacto que essas gerações tem no presente e terão no futuro.

Existem vários especialistas que discorrem por páginas e mais páginas sobre o assunto, mas a idéia hoje é abordar o tema de uma forma rápida e prática para que você entenda de vez o porque desse “murmurrinho” todo.

O que é, então, a Geração Y?

Se você nasceu entre o final da década de 70 e início da década de 90, é, digamos assim, um Y. As pessoas que nasceram nessa época são hoje jovens que estão causando (como alguns falam)  um certo rebuliço, seja nas empresas, na família ou na sociedade em geral. Na verdade, os jovens de hoje são e tem costumes totalmente diferentes daqueles que pertenceram às gerações passadas (isso mesmo, antes da Y, tivemos outras geração como a X e a Baby Boomers, a de nossos pais e avós respectivamente). São justamente essas diferenças que fazem da geração Y, uma geração tão contestada e analisada. Por exemplo, quem gosta de futebol e acompanha as notícias sobre o esporte sabe muito bem da grande polêmica que foi a demissão do ex-treinador do Santos Dorival Junior, motivada pelas atitudes impulsivas do jogador Neymar. Com esse episódio, cansei de ver pesquisadores e autores comparando a atitude do jogador (que é um Y) com as características gerais dos jovens atuais, o que eu particularmente não concordo.

 

Quais são as características desta geração?

Um dos pontos fortes do jovem Y é sem dúvida nenhuma o grande apego com a internet e coisas ligadas a tecnologia. Esses jovens viveram em um período em que a tecnologia não era tão presente e viveram o período de transição para chegar ao ponto que chegamos hoje. Isso, por si só, já mostra o quão abertos à novidades eles são. Para termos uma idéia prática, basta observarmos quem era o publico predominante na Campus Party deste ano (o maior evento tecnológico do Brasil). Além disso me responda: com quantos anos o Mark Zuckerberg criou o Facebook? (se você não sabe, responderemos mais a frente)

Graças à grande facilidade que o jovem de hoje tem com a internet, houve uma grande revolução na forma de se comunicar e se expressar. As redes sociais (tipo Orkut, o Facebook e YouTube) são fatores que marcaram muito essa geração, pois ampliaram a gama de relacionamentos das pessoas. E os Y aprenderam muito bem a utilizar essas ferramentas.

Mudando as regras do trabalho

Esse é o motivo pela qual essa geração está se tornando tão famosa. Conforme ela vai entrando nas empresas, as mudanças que acontecem estão se tornando cada vez mais nítidas. Como já falei antes, essa é uma geração totalmente diferente das outras e é lógico que aconteçam vários conflitos com outras gerações. O problema é que nem sempre as organizações estão preparadas para lidar com essa situação. São os mais velhos achando que os jovens são arrogantes e donos da razão e os mais jovens achando que os mais velhos são antiquados, burocráticos e atrasados.

Para que isso se torne mais nítido na sua cabeça, pense nesta situação: um funcionário com mais de 20 anos de serviço prestado à empresa está trabalhando normalmente quando, de repente, recebe uma notícia bombástica: um jovem que tem a idade para ser seu filho vai ser seu chefe. Imagine a grande confusão mental que poderia ocorrer na cabeça desse funcionário!?

  • “Como esse pirralho que acabou de sair do berço vai saber controlar uma equipe que realiza um trabalho que eu faço há mais de 20 anos?”
  • “Como ele vai falar o que é para eu fazer se ele não sabe? Afinal, ele é muito novo para saber!”
  • “Porque não me escolheram? Me dedico à essa empresa há mais de 20 anos e recebo isso em troca?”

Consegue imaginar a confusão? Agora vamos esquentar um pouco mais este tema. Imagine que você dono de uma grande empresa, que atrai os jovens talentos do mercado, pois tem o costume de investir neles através de treinamentos, auxilio com mentores, carreira, etc. De repente, de um dia para o outro, vê aquele jovem profissional (aquele que você teve tanto cuidado em treinar) pedindo demissão para trabalhar em uma outra empresa. E pior, ele está saindo para a empresa que é sua concorrente direta. Parece até engraçado, mas acredite: isso acontece, e muito. Um caso que exemplifica muito bem o que eu estou falando é o de um jovem que foi entrevistado pelo Jornal da Globo em uma matéria sobre a Geração Y. O jovem que dizia que já havia trocado de emprego três vezes em menos de cinco anos, sempre por receber propostas melhores, e em todos os casos, de empresas concorrentes entre si. Consegue enxergar o que eu estou falando? Enquanto pai dessa pessoa já estava há mais de 30 anos na mesma empresa, ela já havia trocado 3 vezes de emprego em apenas 5 anos.

Ao analisar isso, uma outra característica que podemos perceber na Geração Y (agora falando sobre o aspecto de crescimento profissional), é a vontade e pressa de crescer, de querer subir de cargo, ser promovido e se desenvolver. Se um Y percebe que isso não está acontecendo, ele simplesmente decide pedir demissão e encontrar outra empresa que lhe proporcione o crescimento que está almejando.

Mas pera lá, muita calma, Nós não podemos generalizar e dizer que todos os jovens que nasceram nessa época são assim. É claro que nem todos os Y possuem essas características, mas fica a dica: salário gordo não é o principal fator motivador para um funcionário Y que quer trabalhar em uma empresa e é provável que ele não concorde em trabalhar em lugares aonde ele perceba que não haverá crescimento e perspectiva de se desenvolver.

Não apenas empregados, mas também empregadores

E quanto ao empreendedorismo hein? Bem, esses jovens também estão causando revolução nessa área. Podemos aqui citar mais uma vez o exemplo de Mark Zuckerberg, criador do Facebook. Esse Y, que com apenas 21 anos criou a maior e mais popular rede social do mundo, chegou a virar filme com direito a indicação ao Oscar de melhor filme de 2010. Podemos citar ainda o Marco Gomes, fundador da Boo-Box, que, com apenas 21 anos de idade, lançou a maior plataforma de publicidade digital do Brasil, com direito a receber investimentos na casa das centenas de milhares de reais de grandes empresas de capital de risco. Ambos com apenas 21 anos, pessoal.

E o que se fala dos adolescentes de hoje, hein? Bem, eles são chamados de geração Z, e ate mesmo eles estão surpreendendo. Para ser sincero, apenas em uma semana, li 3 matérias de empreendedores que conseguiram alcançar o seu primeiro milhão de dólares (veja bem, dólares, não reais) com menos de 17 anos. Para ser sincero, acho que  daqui a alguns anos, casos desse tipo irão ser cada vez mais comuns.

Está curioso? Experimente trabalhar em uma empresa que é tipicamente constituída de pessoas da geração Y. Com certeza, você, pelo menos nas primeiras semanas, não irá saber quem é o chefe, pois vai ver boa parte dos funcionários com calça jeans, tênis e um iPod acompanhado de fone de ouvido (inclusive seu chefe). De quebra, para relaxar, um vídeo game (de preferência Playstation 3 ou Wii).

Valores sociais mais sérios

Para finalizar, outra grande característica dessa geração é o aspecto ético e moral mais forte. É certo que eles querem crescer nas empresas, se desenvolver, ser promovidos e etc., mas trabalhar, por exemplo, em uma empresa que degrada o meio ambiente ou que faz acordos comerciais ilegais, é algo geralmente rejeitado.

Aliás, se pararmos para observar com mais cuidado, o mercado do terceiro setor (onde predominam as Ong’s e entidades filantrópicas) tem a maior parte da sua mão de obra composta por jovens bem qualificados, com curso superior debaixo do braço e muita disposição para fazer algo pelo mundo. É algo a se pensar, não?

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Agora me diga, consegue relacionar as características citadas ao longo do texto a alguma pessoa próxima a você? Algum amigo, parente ou colega de trabalho? Consegue relacionar isso à empresas? Compartilhe conosco nos comentários!

About The Author

Cursando faculdade de Administração de Empresas pela FACER, atua na área administrativa e docência dentro do Terceiro Setor. Tem experiência com divulgação, publicidade, marketing Digital, docência e gestão no terceiro Setor. Também é autor do blog Liberdade Testada e Vale Empreender.

4 Responses

  1. Karine Borges

    Romulo,
    Quanto tempo não passo por aqui… hehe
    Rotina ultimo ano de faculdade. Mas vamos lá.
    Adorei o artigo. E realmente a tendencia é ter empreendedores cada vez mais jovens.
    Sempre que posso passo por aqui.
    Um abraço!

  2. André

    Olá Rômulo. Estava pelo site
    procurando alguma coisa para me ajudar a estabelecer metas e acabei lendo isso aqui, não sei nem por que. Sei que vivo exatamente o que diz o texto, tenho 23 anos, recém formado, e vim ao Chile para adminitrar a empresa. Essa coisa de funcionários antigos e com Know-how de muitos anos pode ser de muito proveito com as ambições e características da geração Y. No entanto, conseguir conciliar as duas coisas é uma tarefa muito difícil, posso afirmar.
    Um Abraço

  3. Rômulo

    Olá André, fico feliz por ter gostado do texto, é como você disse, o jovem Y quando está em uma posição de comando, deve ter a habilidade de escutar os profissionais mais antigos (por mais dificil que seja isso)
    Acredito que para esta troca de conhecimentos da certa, deve-se começar pelo Y se dispondo em querer aprender ouvindo, e se mostrando humilde mesmo estando em um cargo superior.

  4. Francisco Varisco

    Vejo tudo isso em mim.
    Esse texto me descreveu como profissional!!

    Acredito que esta geração ira dominar as maiores empresas em bem pouco tempo, como já vem fazendo com empresas de médio porte!!