Gente, de onde vem essa cultura que vivemos hoje (no Brasil) onde o funcionário praticamente não é gente? O que leva os nossos gerentes a achar que todos são substituíveis?

De certa forma, essa última frase é até verdade. Mas existem inúmeras perdas (não estou falando só de dinheiro) para a empresa quando um funcionário sai.

Conheço uma empresas de renome no mercado onde o trabalho é praticamente em regime de prisão ou ditadura. Que mundo é esse?

Mais uma vez, gostaria de mostrar um trecho do livro “Você está louco!” de Ricardo Semler:

“Fizemos um levantamento e descobrimos que somente os funcionários da Semco gastam cerca de um milhão de horas por ano no trânsito. Isso sim é problema da empresa. Por que arrastar as pessoas cidade a fora para uma sede longínqua? Por que pensar que o problema é do funcionário e que a hora de “entrar no serviço” é que marca o início do dia? As pessoas que chegam ao trabalho – quase a totalidade – depois de ônibus abarrotados, congestionamentos, fechadas e risco constante de colisões de pára-choques, assaltos no sinal de trânsito e celulares que vivem sendo desconectados, são pessoas saudáveis e produtivas, que começam o dia com vigor?

Determinamos a meta de 300 mil horas de redução, em dois anos, do tempo gasto no trânsito. Envolve o programa do fim da sede, onde as pessoas podem usar qualquer dos 14 escritórios espalhados por São Paulo e 6 no Rio de Janeiro, o horário altamente flexível, que permite que o funcionário fuja dos picos de tráfego, e também um estudo demográfico que troca de função as pessoas que moram longe de um local de trabalho fixo. Procuraremos algo na sua capacitação mais perto da sua casa, e trocaremos com outra pessoa.”

Creio que grande parte do crescimento do Grupo Semco se deu devido às suas políticas de co-gestão, onde o funcionário (de qualquer nível) tem participação ativa dentro das decisões da empresa. Essa mentalidade vem do pensamento criado por eles: “Quem melhor para saber o que é necessário em uma fábrica do que o próprio operário que a usa?”.

O modelo de gestão que vivemos hoje está cada vez mais decadente. Por sorte, algumas empresas já estão enxergando os benefícios da mudança e já estão aderindo à esse novo modelo. Se você parar pra pensar, duas gigantes de tecnologia, Google e Microsoft, dão grandes liberdades aos seus funcionários. O Google, em específico, dispõe de salas de entretenimento com videogame! Você já viu isso em alguma outra empresa aqui no Brasil?

Para mim, o fator fundamental de melhoria não é a liberdade do funcionário, mas sim o seu respeito e valorização. Antes, várias empresas davam vários benefícios tal como o quinquênio, anuênio, salário aniversário, dia de folga (abonos), etc. Hoje, cada vez menos empresas dão esses bônus. Por quê? Acho que deveria ser o contrário. Os benefícios deveriam aumentar, não diminuir!

Bom, falo muito sobre esse modelo né? Eu gostaria agora de ouvir vocês! Gostaria de saber a sua opinião sobre isso tudo e gostaria de ouvir comentários sobre outros modelos. Afinal, “não só de pão vive o homem”.

About The Author

Empresário (CEO da agência de comunicação PIBIT) e consultor de tecnologia da informação e comunicação digital, é o fundador e editor do blog Produzindo.net. Se dedica a essa atividade pela paixão que tem pelo lema que tomou para a sua vida: “aprender para ensinar”.

  • http://subsolo2.blogspot.com Big

    É complicado. Não dá pra simplesmente liberar geral, hehe. E também, cada empresa é uma empresa.
    No meu caso, tenho que lidar com os dois lados, funcionários do setor administrativo e funcionários de linhas de produção. O funcionário que trabalha na linha tem que entender (e tem mesmo) que um atraso de apenas 5 minutos faz com que sua linha produza 15, 20, 50 produtos a menos, o que gera uma cadeia de transtornos incrível. Já no setor administrativo, procuramos facilitar ao máximo a vida dos funcionários, mas a sensasão que eu tenho é que quanto mais você oferece, mais eles querem. Vou ver se leio o livro pra ver se encontro algumas idéias novas…

  • Leandro Santos

    ‘O Google, em específico, dispõe de salas de entretenimento com videogame!’

    Muito legal esse exemplo, mas lembro-me das palestras do Prof. Marins e dizia uma coisa certa:
    ‘Não de muito conforto ao seu funcionário dentro da empresa’ referia-se a uma sala com ar-condicionado, bem fresquinha, e se tive que resolver problemas fora da empresa, ficaria dificil ele sair naquele sol de 40°…
    Acho que o meio termo é o melhor, nem radical e nem bonzinho de mais.

  • Bruno

    Ótimo Post! o unico problema é a mudança radical de pensamentos e atitudes a serem adotadas de gestores, diga-se que em maioria essas empresas de grande porte tem poucos gerentes extrangeiros que trariam visões diferentes a empresa, quase que a maioria de ótimos profissionais acaba indo para fora justamente por maiores benefícios e qualidade de vida.

  • http://www.bernardopina.net/ Bernardo Pina

    Big, no livro “Voce está louco!”, Ricardo Semler conta da sua experiência em implantar medidas/métodos/políticas em uma fábrica de produção. Explica como foi feito e os resultados ótimos que obteve. A questão é… para tudo tem jeito, basta saber como fazer! ;)

    Leandro, não podemos “abrir as pernas” para os funcionários, a idéia não é essa. O que temos sim que conseguir é fazer com que o funcionário tenha prazer em trabalhar. Um funcionário feliz produz muito mais!

    Bruno, isso é verdade. E é isso que me deixa com raiva… Os altos executivos do Brasil ainda tem uma mente fechada sobre esse tipo de política. Mas um dia chegamos lá…

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  • http://www.blackbox.tv Horacio Magalhaes

    Pessoal…tenho dois funcionarios num setor de edição de imagens. Há um problema de hierarquia não definida entre eles. Não percebo que um tenha mais iniciativa e que puxe o outro. Estou prestes a demitir um deles pois não estou vendo justificativa em manter os dois. E mais juntos fazem o trabalho que apenas um faria. Um deles está insatisfeito, quer ganhar melhor mas não produz nem o que ganha atualmente. O que devo fazer?

    • http://www.bernardopina.net/ Bernardo Pina

      Bom, antes de mais nada, faça uma pesquisa de mercado para saber se você está pagando o mesmo, menos ou mais do que a média salarial para o cargo.

      Se você está pagando menos, talvez você deva rever as contas da empresa para igualar a pelo menos a média. Se você está pagando a média ou acima da média, converse com ambos e mostre a pesquisa para que eles saibam que você está pagando bem e que paga em dia, coisa que nem sempre eles poderão encontrar por aí.

      Se não houver solução e for necessário mesmo demitir um deles, observe o trabalho deles durante um mês (se possível) e veja quem está rendendo mais. É dele que você precisa.

      Abraço!