Com 12 anos de experiência num mercado altamente especializado, onde a produtividade é constantemente avaliada pelos supervisores por meio de metas (sempre) agressivas, tive a oportunidade de vivenciar situações em que as empresas realizaram diferentes tentativas de aumentar a produção da equipe. A grande maioria delas foi aumentando a própria equipe. Em alguns casos funcionou. Em outros não só não funcionou, como atrapalhou.

Atrapalhou!?

Sim, atrapalhou. É um fenômeno interessante se você tiver a oportunidade de observá-lo de perto, e sempre me intrigou. Afinal, se a produção de um determinado produto depende de mão-de-obra humana, é de se esperar que ao colocar mais mão-de-obra a produção também aumentaria.

Bem, eu conheço o fenômeno já a algum tempo, mas nunca entendi a fundamentação dele. Até esses dias. Descobri um negócio chamado Teoria da Produção, um assunto amplamente estudado em Economia, que não apenas fala sobre tudo isso como também contém uma regra/lei que determina esse comportamento. Vamos entender um pouco mais sobre essa tal lei.

Fatores de produção

A Teoria da Produção é uma cadeia de estudo da Economia que analisa, pasme, a… produção. Como tal, o seu foco é justamente em empresas e o quanto elas conseguem produzir, dados alguns insumos chamados fatores de produção. Os principais fatores estudados são:

  • Capital: Para efeitos econômicos, entende-se capital não apenas como dinheiro, mas também o conjunto de bens que a empresa possui para produzir algo.
  • Mão-de-obra: É o próprio trabalho, realizado pelas pessoas.
  • Tecnologia: É a forma como os recursos existentes vão ser utilizados para produzir algo, podendo ser mais ou menos eficiente.

Apesar das principais variáveis de produção serem as citadas acima, dependendo de caso para caso, é possível existirem outras. Contudo, para facilitar o entendimento do assunto, vamos nos ater apenas a essas três principais.

Lei dos Rendimentos Decrescentes

É essa a tal lei. Basicamente, o que ela estatui é que a medida que aumentamos o uso de determinado fator de produção, sem também aumentarmos os outros fatores, a produção aumenta até que se chega a um ponto em que a produção adicional resultante desse aumento começa a decrescer.

Complicado? Um pouco. Vamos dar um exemplo para deixar tudo um pouco mais claro. Pense numa fábrica de carros que tenha a capacidade estável de produzir 2.500 carros por mês. Se o capital (dinheiro, instalações e maquinário envolvido) e a tecnologia permanecerem sem mudanças, resta aos donos da fábrica promover mudanças na mão-de-obra.

Pela lei, conforme aumenta-se a mão de obra, a quantidade de produção vai aumentando. Só que quanto mais gente se coloca, menos se aumenta a quantidade produzida por cada pessoa colocada, até chegar um ponto em que a produção não aumenta mais. Mas a teoria não para por aí… Se a fábrica continuar contratando, a produção vai… diminuir. Quais fatos explicam isso? Ora, se a fábrica contrata mais e mais pessoas sem aumentar, por exemplo, a quantidade de máquinas a serem operadas por essas pessoas (capital), vai chegar um ponto em que todas as máquinas estão sendo operadas e existem pessoas sem máquinas. Essas pessoas que estão sobrando, vão começar a atrapalhar o trabalho das outras, diminuindo assim a produção como todo.

“Nove mulheres não dão a luz a um filho em um único mês”

Já ouviu falar desse ditado? A idéia é basicamente a mesma. Não adianta colocar mais mulheres para auxiliarem na “produção” de um filho mais rapidamente, porque apenas uma dessas mulheres vai efetivamente realizar esse trabalho. E vai realizar nos nove meses. Sem ajuda das outras para diminuir o tempo. Sem choro.

Vá com calma

Conforme a Lei da Produtividade Marginal Decrescente afirma, quanto mais mão-de-obra se coloca, menos se ganha por cada incremento nela até o ponto em que o valor se torna negativo, quando a produção começa a reduzir. Ou seja, há SIM casos (diversos deles) em que se aumenta a produção incrementando a mão-de-obra (ou outros fatores de produção, isoladamente). É o caso, por exemplo, de uma fábrica que tem 500 máquinas disponíveis para serem operadas por 500 trabalhadores, mas só existem hoje 200 contratados. Se um trabalhador apenas ocupar uma máquina por vez, tem espaço no mínimo para mais 300 novos contratados.

Ou seja, se um fator de produção está subdimensionado, quando comparado aos outros fatores, há espaço para seu aumento. E isso deve ser observado com atenção pelas pessoas envolvidas nesse processo todo.

Como ponderar?

Quer aumentar a sua equipe para que você aumente sua produção? Pense em todos os fatores.

  • Primeiro, você tem capital para permitir quanto de mão-de-obra? Se o seu capital permite uma equipe de 20 pessoas, e você tem 10 pessoas, então você já sabe o quanto pode crescer de mão de obra.
  • Segundo, você tem capital para 20 pessoas e já contratou essas 20 pessoas. Mas não está produzindo o suficiente. Bem, então você precisa buscar uma tecnologia alternativa que permita você aumentar a produção com a mesma quantidade de capital e de pessoas.
  • Terceiro, você tem a tecnologia mais eficiente e só consegue contratar hoje 20 pessoas. Bem, você precisa então aumentar o capital e investir na sua empresa para produzir mais.

Vê como tudo é questão de equilíbrio?

Se você pensa em aumentar a sua equipe para produzir mais, pondere os outros fatores de produção. Pondere o que você pode fazer, e em como equilibrar tudo para que não acabe produzindo menos ou gastando dinheiro a toa.

About The Author

Empresário (Diretor de Operações da Data Power Team) e consultor de tecnologia da informação e comunicação digital, é o fundador e editor do blog Produzindo.net. Se dedica a essa atividade pela paixão que tem pelo lema que tomou para a sua vida: “aprender para ensinar”.

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