No último texto, a gente falou sobre a escolha do destino para a viagem dos seus sonhos. Mas nem cogitamos a possibilidade de escolher o destino baseado no preço. E isso tem um motivo:  a gente, aqui do Produzindo.net, acha que você tem mais é que sonhar alto e realizar seus sonhos. Claro, sem se endividar e com muita responsabilidade. Por isso, nos próximos textos eu vou falar sobre como calcular os gastos da sua viagem e como se organizar financeiramente para que a sua viagem seja feliz e tranquila.

O primeiro passo pra fazer um planejamento financeiro da sua viagem é identificar os seus gastos. Existem alguns gastos básicos e que podem ser considerados padrão quando falamos de viagem:

  • Transporte
  • Hospedagem
  • Alimentação
  • Passeios
  • Compras e lembrancinhas

Como este texto estava ficando muito maior do que eu esperava, resolvi dividir em pequenas partes. O texto de hoje trata exclusivamente sobre o planejamento de transporte, e nos próximos textos, a gente aborda os outros.

Parte 2.1 – Fazendo as contas – Transporte

Quando falamos de transporte, devemos pensar em 3 situações:

  • Transporte: como você vai de uma cidade à outra
  • Transporte: como você vai andar pela cidade
  • Transporte: como você vai sair da sua casa para chegar ao meio de transporte que vai te levar de uma cidade à outra.

Ficou confuso? Então vamos criar uma viagem hipotética de 9 dias (e 9 noites), em que os personagens são meus pais, saindo de Brasília (cidade deles) para vir me visitar no Rio de Janeiro.

Primeira pergunta: como eles viriam de Brasília para o Rio?

Não vamos abordar aqui a melhor forma de escolher sua opção de transporte, porque isso será feito com mais calma em outro texto. E por motivos que serão explicados neste outro texto, meus pais resolveram vir para o Rio de Janeiro de avião.

E aí? Quanto custa vir para o Rio de Janeiro, partindo de Brasília, de avião? Mundo moderno, cheio de promoções, passagens acessíveis… Opa. Preços que variam com muita frequência. Podem variar mais de 100%, e Talita, essa coisa de planejar tá começando a ficar complicada.

Acalme-se e recomponha-se! A idéia aqui é justamente fazer um planejamento, e como tal, exige uma certa flexibilidade.

Sendo assim, para pesquisar preços, escolhi um período em que geralmente as passagens são um pouco mais caras. Julho, mês de férias escolares. Selecionei também os dias e horários em que passagens normalmente são mais caras: sexta à noite, para ida e domingo à noite, para volta. Também optei por vôos diretos, sem escalas, que usualmente são mais caros também.

Na hora de se planejar, optar pela opção mais cara é uma atitude válida. Afinal, se você fizer isso e ainda assim conseguir fazer sobrar dinheiro (você planejou gastar R$1.000,00 de passagens, mas acabou gastando R$500,oo, por exemplo), você pode reservá-lo para outros momentos da sua viagem. Mas tome muito cuidado… Se você optar sempre pela opção mais cara, o orçamento pode acabar estourando, o que fatalmente irá te desanimar, podendo ainda fazer você adiar a viagem por mais tempo do que o necessário.

Pense comigo… A combinação de passagens mais cara que eu encontrei (na data de hoje), com as características da viagem hipotética dos meus pais, fica em torno de R$750,00 por pessoa (fora taxas de embarque). A combinação mais barata, R$260,00.

Esta é uma viagem que eu tenho realizado com uma certa frequência, então me arriscaria a dizer que aprovisionar R$350,00 (por pessoa) seria o ideal para que os meus pais consigam passagens com essa configuração. Mas… e se eu não fizesse essa viagem com frequência? Como eu poderia estipular um valor adequado para o meu planejamento?

  • Uma opção simples e preguiçosa: mediana. Some o valor mais alto ao valor mais baixo e divida por 2. Taí seu número.
  • Uma opção simples, mas não tão preguiçosa: média. Identifique através de sites de pesquisa de passagens aéreas a faixa de preço em que se concentra o maior número de opções de passagem.
  • Uma opção trabalhosa: Pesquise (com seus amigos ou na internet) quanto as pessoas têm investido em passagens similares às que você deseja.
  • Uma opção segura: Bem. Todas as sugestões acima, combinadas.

Essa mesma regra de pesquisa de preço serve pra quem vai viajar de ônibus. A diferença é que a variação de valores das passagens é bem menor.

Para viagens com seu próprio veículo, considere a distância a ser percorrida, o valor do combustível, o rendimento de seu carro e pernoite. Existem alguns sites que podem ajudar nessa tarefa, mostrando os melhores pontos para abastecer, se alimentar, descansar; e com softwares que calculam seu gasto provável.

Mas basicamente, se meus pais viessem de carro, as contas seriam:

  • Distância aproximada: 1200km
  • Rendimento do carro do meu pai (na cidade): 15km/l
  • Preço do combustível (mediana Rio-Brasília): R$ 2,72
  • Preço de um quarto em um hotel mediano no interior de Minas Gerais: R$80,00

1200km / 15km/l = 80 l

80l *R$ 2,72 = R$ 217,6

Considerando ida e volta, só de combustível seria necessária a quantia de R$ 435,20.

Há de se considerar outros gastos para viagens com o próprio veículo. O custo de uma manutenção preventiva é o primeiro deles. Afinal, você não quer arruinar suas férias antes mesmo de chegar lá, certo? Considere a possibilidade de trocar peças de custo considerável, como os pneus e também coisas relativamente pequenas, como uma troca de óleo e pastilhas de freio. Verifique se seu veículo está realmente tem condições de fazer viagens. Faça um orçamento com o mecânico da sua confiança e coloque esses valores no orçamento, junto com o valor do combustível.

Definido esse valor, anote! E lembre-se: você escolhe como vai viajar pela conveniência, não pelo valor!

Segunda pergunta: como eles vão andar pela cidade?

Meus pais têm muitos parentes aqui pelo Rio, mas poucos deles estão motorizados. Eu mesma, não tenho carro. Meu marido e eu moramos em uma região do Rio de Janeiro que é bem atendida pelo sistema de transporte público, o prédio em que moramos não tem garagem, e o metro quadrado para guardar um carro está mais caro do que o metro quadrado para guardar um filho. Decidimos que não precisamos de carro. =)

Mas eles não vão ficar paradinhos, sentadinhos, vão querer andar muito por aí. As opções para eles andarem pela cidade são:

  • Carona com a família
  • Aluguel de carro / Taxi
  • Transporte público

Assim como na nossa primeira pergunta, aprofundaremos sobre como escolher a melhor opção em um futuro texto. Por hoje, só a programação financeira mesmo.

Carona: É de graça. Mas pode ser de bom tom contribuir com um taque de combustível, né? Seria esse o valor máximo a ser previsto como gasto.

Aluguel de carro: A pesquisa de preço pode seguir a mesma filosofia das passagens aéreas. Avalie se, para o perfil da sua viagem, é mais interessante optar pela quilometragem livre ou não. Considere o perfil de sua viagem quando for decidir os opcionais do carro, como direção hidráulica e ar-condicionado. Para o táxi, você precisa saber o valor da bandeirada e do quilômetro rodado (em bandeira 1 e 2) para seus cálculos. E também uma estimativa de quilômetros que você deve correr. Táxi aqui no Rio, pra quem vem de Brasília, é sempre considerado barato. Estabeleça um valor médio para suas “corridas” e multiplique pelo número de “corridas” da sua viagem.

Transporte público: Você precisa fazer as contas de quanto gastaria em média por dia, por pessoa, para andar á vontade pela cidade. Considerando que o valor da passagem de ônibus, trem, metrô e barcas no Rio de Janeiro variam hoje de R$2,35 a R$14,00 e que meus pais visitariam de 2 a 3 lugares por dia, acredito que um bom valor por dia para planejamento poderia ficar em torno de R$20,00 por dia, por pessoa. Como o roteiro ainda não foi definido é difícil dizer quanto exatamente cada um vai gastar com transporte público. Ao definir o seu roteiro de viagem você pode refazer os cálculos e verificar se esse valor aumentou ou diminuiu. Minha dica é a seguinte: planeje-se sempre para ter uma sobra em dinheiro, de forma a se precaver contra “surpresas”, tal como um súbito aumento no valor das passagens ou até mesmo uma greve ou paralisação nos transportes públicos.

Sempre é possível mesclar as opções. Pense nessa possibilidade quando estiver organizando seu roteiro de viagem. Assim, você pode escolher quais os melhores dias para alugar veículo, andar de táxi e escolher os melhores horários e valores para utilizar o transporte público.

Terceira pergunta: Como eles vão chegar até o aeroporto?

No nosso exemplo, estamos falando dos meus pais indo de casa para o aeroporto de Brasília. Como tomar essa decisão, a gente explica lá na frente, em outra oportunidade. Mas já o planejamento…

Eles poderiam usar praticamente as mesmas opções de transporte que usariam durante as férias aqui no Rio: carona, taxi, veículo próprio ou transporte público.

Carona: De graça! Vale ajudar com o combustível, então é o valor máximo a ser previsto como gasto nesse caso.

Táxi: Você pode calcular o valor pela soma da bandeirada com o valor do quilômetro rodado (multiplicado pela distância a ser percorrida). Alguns sites fazem isso, com opção de escolha entre bandeira 1 e 2. Vale lembrar que existe uma tabela de preço para o transporte de volumes como malas e caixas. Então, inclua isso no seu planejamento.

Veículo próprio: Além do consumo básico de combustível e desgaste normal do seu carro (que não será muito, acredito eu) você deve colocar no seu planejamento financeiro o valor do estacionamento. Claro, você pode optar por um estacionamento público. Mas lembre-se que isso deixará seu carro bastante vulnerável durante vários dias.

Transporte público: Aqui, você calcula apenas o valor das passagens.

Mas em todos os casos, lembre-se: você vai e volta. Então multiplique os valores por 2 (exceto as diárias de estacionamento).

No próximo texto vamos falar sobre o planejamento financeiro quanto à hospedagem!

About The Author

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília (UnB), atua nas áreas de gestão da qualidade e gestão da informação desde 2006. Interesse em gerência de projetos, gestão do conhecimento, sistemas de gestão da qualidade, biblioteconomia, restauração de documentos e (claro!) livros e literatura. Muito abrangente? É o poder do profissional bibliotecário, que funciona de A a Z.