por Rômulo Martins (Empregos.com.br)

Ingressar em um bom programa de estágio é o sonho de muitos jovens que desejam adquirir bagagem prática, valorizar o currículo ou, até mesmo, iniciar a carreira na empresa ao fim da temporada de estágio. Mas será que você é o estagiário que as companhias buscam? Para responder a pergunta o Empregos.com.br falou com três profissionais que trabalham com o público jovem.

Segundo Roberta Cesar, gerente de projetos da Cia de Talentos, grosso modo as organizações buscam estudantes aplicados, que saibam utilizar suas experiências a favor da empresa e corram atrás do próprio desenvolvimento profissional. “Ou seja, que utilize a faculdade como um recurso para o trabalho”. Portanto, levar as ideias aprendidas na universidade para a empresa, ser curioso e ajudar a resolver os problemas do dia a dia são atitudes apreciadas em um estagiário, ressalta Roberta.

As empresas procuram ainda estagiários que estejam dispostos a aprender, tenham ambição profissional, sejam flexíveis e demonstrem comprometimento. Outras qualidades importantes são a autonomia e a capacidade de comunicação. “O estagiário poderá deparar-se com situações que ele não entende, mas deverá saber agir”, avisa o professor Ronaldo Barbosa, diretor adjunto de desenvolvimento educacional da Anhanguera.

Conforme Patrícia Teixeira, psicóloga e analista de carreiras da Veris Faculdades, espírito de equipe, não resistência a mudanças, proatividade e formação consistente são algumas das principais características esperadas em um estagiário. “Quanto mais o candidato tiver a oferecer, melhor. As empresas buscam candidatos que tenham diferenciais.”

Outros fatores relevantes

Estar informado sobre notícias do Brasil e do mundo pode não ser pré-requisito para participar de um processo seletivo de estagiários, mas certamente é um diferencial, afirmam os especialistas ouvidos pelo Empregos.com.br. “Pessoas com boa cultura geral normalmente sabem ler e escrever melhor e têm mais senso crítico para saber o que dizer e como se comportar”, sublinha Ronaldo Barbosa, da Anhanguera.

Além disso, a informação proporciona visão de mercado. “O aluno informado sabe quais são as projeções de futuro em sua área, e o que pode influenciar sua carreira”, diz Patrícia Teixeira, da Veris Faculdades. “Informado, ele (estagiário) consegue falar com mais propriedade sobre os negócios da empresa”, aponta Roberta Cesar, da Cia de Talentos.

A vivência internacional também é bastante valorizada pelas empresas que, em muitos casos, exigem do aspirante a estagiário o domínio de uma língua estrangeira. A experiência, no entanto, deve estar atrelada ao desenvolvimento profissional do estudante universitário. “O intercâmbio proporciona o contato com outras culturas e a experiência no enfrentamento de situações novas”, destaca Ronaldo.  

“Os diferenciais são os tipos de experiências vivenciadas pelo estudante. Por isso é fundamental correr atrás do próprio desenvolvimento, envolvendo-se em empresas juniores, projetos de iniciação científica, prestando serviço em uma entidade, aprendendo uma nova língua”, resume Roberta. Vale lembrar que o domínio do português é item eliminatório em um processo de seleção para estagiários.

Dicas

Para quem deseja ingressar em um programa de estágio a dica número um é definir os objetivos de carreira, conhecer as próprias potencialidades e pontos a desenvolver. Feito isso é hora de pesquisar sobre a empresa em que aspira estagiar.

Segundo Patrícia, o candidato precisa identificar-se com a cultura da empresa, verificar se ela oferece plano de carreira, se a vaga é compatível com a área de estudo ou irá agregar valor ao conhecimento dele. No processo seletivo é fundamental apresentar-se com segurança, “tomar cuidado com a postura, vestimenta, prestar atenção nas instruções e mostrar interesse pela vaga.”

Durante o estágio, a orientação é ouvir muito e ter bastante paciência para aprender. “É fundamental mostrar aplicação e comprometimento em todas as tarefas que surgirem, das mais simples até as mais complexas, e nunca falar mal da empresa ou das pessoas”, recomenda Ronaldo.

Roberta ressalta a importância de entender a hierarquia da empresa antes de expor ideias ou propor mudanças. “Algumas organizações são bem abertas às sugestões. Outras são mais rígidas, e o processo de mudança mais lento. É importante saber até onde você pode ir.”

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Empresário (CEO da agência de comunicação PIBIT) e consultor de tecnologia da informação e comunicação digital, é o fundador e editor do blog Produzindo.net. Se dedica a essa atividade pela paixão que tem pelo lema que tomou para a sua vida: “aprender para ensinar”.