Em uma recente aula no meu curso de graduação, estudamos algumas ferramentas administrativas tal como a metodologia 5s, PDCA, benchmarking, reengenharia e dowzing. Conforme íamos estudando, percebi que elas determinavam padrões, procedimentos a serem seguidos. O Sistema 5S, por exemplo, reúne uma série de passos para se chegar ao melhor resultado possível. A mesma coisa acontece com o PDC, ferramenta de qualidade criada pelo estatístico americano Deming.

Então me questionei: por que muitas empresas, mesmo não adotando essas ferramentas, conseguiram se sobressair? Por que muitas empresas conseguiram resultados tão expressivos sem implantar nenhum desses padrões?

Ainda penso sobre isso, e a conclusão que cheguei é que elas quebraram padrões e adotaram suas próprias idéias, implantaram seu próprio estilo de gestão.

Atenção: Não digo que essas ferramentas não funcionem. Pelo contrário, elas ajudaram muitas empresas a se reerguer no mercado quando estavam passando por um momento ruim. Este é o caso da XEROX, por exemplo, que, caso não tivesse adotado o benchmarking em seus processos, perderia para sempre seu mercado para a CANON.

O que quero frizar aqui é a quebra de padrões adotada por muitas empresas. Enquanto muitas aplicam ferramentas já prontas e estabelecidas, outras criam seus próprios meios de atingir a qualidade operacional, o trabalho em equipe e o resultado prático.

No Brasil temos vários exemplos de empresas e pessoas que seguem um estilo próprio e inovador, como Ricardo Semler, Vicente Falconi (que aliás com suas próprias técnicas e métodos de gestão oferece consultoria para empresas do porte da AMBEV), e empresas como a Hypermarcas, que experimentou uma grande expansão nesses últimos tempos graças ao modo tipicamente brasileiro de gestão adotado pelo seu proprietário, o goiano João Alves de Queiroz Filho.

Estes são apenas alguns exemplos que provam que nós brasileiros somos capazes de administrar nossas empresas com um estilo próprio. Não falo em gerir de forma tipicamente empírica, sem estudo ou analise e de maneira irracional. O gerir tipicamente brasileiro a que me refiro é resultado da observação de sua própria empresa, de seu mercado, seu concorrente, e a partir de muito estudo e análise, elaborar ideias inovadoras.

A dica é: comece pelo ponto fraco de seu negócio. O que acha, por exemplo, de atacar seus custos? Envolva a equipe na solução desse problema, seja você mesmo o guru da sua empresa. Mostre que com suas próprias teorias e idéias, sua organização também pode alcançar sucesso como as Xerox, IBM e Coca-Cola aí da vida. Bom trabalho!

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