Doutorado é um dos mais altos graus acadêmicos que existem. Tem por finalidade desenvolver a capacidade individual de pesquisa do aluno em um determinado campo.

Temos no Brasil uma banalização do nome “Doutor” já que para a população que vive em situação de pobreza, qualquer pessoa formada se enquadra no termo. Ainda assim, academicamente falando, há poucos Doutores por ser muito difícil chegar até lá.

Para você poder entrar em um curso de Doutorado, existem pré-requisitos que excluem a maior parte dos interessados. Dentre os mais populares, temos os três a seguir:

  • Mestrado
    Para se ingressar em um Doutorado, é necessário que o candidato já possua o nível de Mestre. Como também não é tão fácil concluir um Mestrado, esse requisito já elimina a maioria dos candidatos.
  • Proficiência em línguas
    Sim, eu não disse errado. “Línguas” no plural mesmo. Muitas universidade/centros universitários exigem prova de proficiência em duas línguas. Para alguém que conseguiu passar no pré-requisito anterior, considera-se que ele deve pelo menos saber uma língua fora a sua língua nativa. Mas não é tão fácil ser proficiente em duas línguas, o que mais uma vez, elimina outra boa parte dos candidatos.
  • Tese
    É necessário apresentar uma tese sobre algum assunto. Essa tese deverá ser validada e aprovada pelo corpo docente.

“O que é uma tese? Uma tese é uma proposta intelectual sobre algum assunto novo, sobre uma idéia que alguém teve. A finalidade da tese é provar essa idéia com argumentações fortes.”

Depois que se ingressa no doutorado, o problema é: você precisa se dedicar muito. A idéia do doutorado é incentivar o profissional a realizar uma pesquisa sozinho e há um longo caminho a se percorrer para provar uma tese. Muitas vezes, dependendo do tema e do empenho da pessoa, ela acaba se alienando para se dedicar exclusivamente a isso.

Certa vez, conversando com um gerente de uma empresa onde trabalhei, ele me falou sobre uma certa resistência que pode existir à um candidato que possui doutorado. Inicialmente achei que fosse por causa do salário (os salários de doutores são geralmente BEM gordos) mas qual a minha surpresa ao descobrir que nada tinha a ver com isso, pelo contrário. Salário nesse caso era o de menos. O problema é que quando você recebe um doutor candidato à uma vaga, você pensa no mínimo o seguinte: “Ele passou alguns anos da vida dele totalmente se dedicando ao doutorado. Será que ele está muito por fora do mundo da tecnologia? Será que ele sabe das novas tendências? Será que ele não está muito alienado?”.

Considero isso um pensamento estranho, mas não saiu da minha cabeça e sim da de um gerente experiente na área. Se uma pessoa pensa dessa forma é possível que outras pensem da mesma forma.

Ingressar em um doutorado é uma escolha que vai trazer muitas consequências na vida de um profissional. Umas boas, outras ruins. É tudo questão de escolha. O que você quer para a sua vida?

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About The Author

Empresário (Diretor de Operações da Data Power Team) e consultor de tecnologia da informação e comunicação digital, é o fundador e editor do blog Produzindo.net. Se dedica a essa atividade pela paixão que tem pelo lema que tomou para a sua vida: “aprender para ensinar”.

5 Responses

  1. Hugo

    Um assunto que poderia ser abordado também seriam os concursos públicos. Mas os textos estão muito bons!

  2. Bernardo Pina

    Hugo, o foco da série é mais acadêmico. Mas está anotada a sugestão à respeito de concursos públicos. Abraços!

  3. ABILIO LOPES

    EXISTE CURSOS QUE DIZEM:
    MESTRADO EM ELECTRONICA
    MESTRE EM ELECTRONICA
    PODE-ME INFORMAR QUAL É A DIFERENCA, OU SE É TUDO A MESNA COISA

    CUMPRS ENG ABILIO LOPES

  4. Bernardo Pina

    Em teoria, seria a mesma coisa. Mas sempre tem os “espertinhos” que usam o nome “Mestre em alguma coisa” para cursos que não são de pós-graduação. Na maioria desses casos, se trata de um curso técnico.

    Quando você vir esse tipo de anúncio, para saber diferenciar, procure saber se é um curso técnico ou não. Se não for, procure saber se é lato-sensu ou stricto-sensu. Os verdadeiros mestrados são stricto-sensu.

    Abraços

  5. salvador

    A banalização do termo “doutor” vem de uma lei da época do império.

    Creio que na época só havia faculdades de Direito e de Medicina no Brasil.

    Assim, a lei previa que todo aquele formado em Direito e Medicina fosse tratado por “Doutor”. Só vale pra essas duas carreiras.

    A lei, apesar de obsoleta, nunca foi revogada, e ninguém declarou sua não recepção frente às novas Constituições.