Hoje iremos falar sobre os dois últimos graus acadêmicos, a livre-docência e o pós-doutorado.

Livre-docência

Livre-docência é um título (stricto-sensu) fornecido por instituições de ensino superior por meio de concursos públicos. É um titulo de excelência de ensino concedido para que a pessoa seja respeitada como professor da instituição. As inscrições são abertas por meio de editais e somente são aprovados para realizar a prova profissionais que já possuem o título de “Doutor”. Cada instituição possui suas próprias regras para o edital.

Após realizar a prova, é necessário desenvolver uma tese e defendê-la perante a uma banca examinadora.

Em algumas faculdades e universidades (como por exemplo as estaduais paulistas) , o título de livre-docência é pré-requisito para a candidatura ao cargo de professor titular. Já nas federais, quando um professor possui o grau de Doutor e existe a vaga, é possível se candidatar ao cargo.

Esse grau acadêmico não é muito difundido no meio profissional. Ao meu ver, serve mais para profissionais que tenham vontade de focar a sua carreira no ensino acadêmico.

Pós-doutorado

Esse é um estágio acadêmico realizado após o término do Doutorado. Caso o profissional deseje continuar suas pesquisas, é comum se inscrever em um “curso” de pós-doutorado. Esse curso é, um estágio acadêmico na instituição, onde o candidado irá se aprimorar como pesquisador em uma determinada área.

Creio que muitos profissionais que terminam o curso de Doutorado, querem continuar a pesquisa que começaram. Nada melhor do que aproveitar essa vontade para se adiquirir um novo grau.

Após a sua conclusão, o profissional terá excelência de conhecimentos no assunto de sua pesquisa. O problema é o tempo que se leva para chegar aqui. Façam as contas: graduação – 4 anos, mestrado – 4 anos, doutorado – 4 anos, pós-doutorado – 1 a 4 anos. Totalizando, 13 a 16 anos de estudos. Supondo que você comece sua faculdade com 18 anos e que não tenha nenhum intervalo entre os cursos, você terá o pós-doutorado apenas com 34 anos. É uma dedicação à carreira muito grande, será que vale a pena?

Finalizamos aqui a nossa série “Terminou a faculdade! E agora?” onde falamos sobre os graus acadêmicos de pós-graduação. Foram abordados: certificações, pós-graduações, mestrados, mba, doutorado, livre-docência e pós-doutorado. Mas calma, não fique triste! Já temos uma nova série no forno para vocês. ;)

Outros artigos da série:

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Empresário (Diretor de Operações da Data Power Team) e consultor de tecnologia da informação e comunicação digital, é o fundador e editor do blog Produzindo.net. Se dedica a essa atividade pela paixão que tem pelo lema que tomou para a sua vida: “aprender para ensinar”.

19 Responses

  1. Matheus

    Isso realmente me deprime. Acho que não chegarei nem a ser Mestre.

    P.S: Tenho 16 anos. ;(

  2. Thadeu Penna

    Só umas pequenas correções: pós-doutorado não é título acadêmico. Normalmente o período de um pós-doutorado é de um ano, renovável indefinidamente dependendo da fonte pagadora :)

    Como você colocou acima, livre-docência faz parte da carreira acadêmica nas estaduais paulistas. Nas federais, o termo intermediário entre o doutor (adjunto) e o titular é o professor associado, mas o critério é principalmente o tempo de serviço e não concurso.

  3. Bernardo Pina

    O pós-doutorado é um grau de formação acadêmica, sendo assim, o profissional que o conclui recebe um título de conclusão de curso de pós-doutorado. Uma pesquisa rápida no Google mostra isso! ;)

    A informação do tempo de curso foi corrigida. Porém existem cursos de mais de um ano de duração. A USP inclusive, tem cursos de pós-doutorado que variam de 6 (seis) meses a 2 anos.

    Sobre o critério de avaliação para preenchimento de vagas de professor titular em universidades federais, o que você falou foi justamente o que eu falei. Para a maioria das estaduais, o critério é a livre-docência. Já para as federais, basta ter o título de “Doutor” e, como você disse, tempo de casa.

    Muito obrigado pelas dicas! =)

  4. Thadeu Penna

    Eu tenho um estágio de 18 meses na Boston University, com bolsa de pós-doutorado. Eu tenho um certificado de ter estado lá naquele período. Nem escrevi tese e nem frequentei disciplinas, portanto não passei por nenhum processo de avaliação.

    Em qualquer concurso, o mais alto grau acadêmico é o de Doutor. Veja em http://www.pos.eco.ufrj.br/modules.php?name=Sections&op=viewarticle&artid=96

    Art. 1º – Entende-se por pós-doutorado o programa de estudos e pesquisa, com prazo delimitado, desenvolvido por portador do título de doutor em instituição de pesquisa distinta daquela em que atua de maneira rotineira.

    Parágrafo Único – Não constitui o pós-doutorado, sob qualquer perspectiva, um curso ou nível específico de estudos pós-graduados, nem, a fortiori, um grau ou título acadêmico, como o são o curso de mestrado e o título de mestre, ou o curso de doutorado e o título de doutor.

    []s

  5. Bernardo Pina

    Engraçado. Então há informações na internet errôneas a respeito. Por exemplo, no site do Instituto de Química da USP (http://www2.iq.usp.br/fundamental/index.dhtml?pagina=413&chave=q6T), você encontra essa informação:

    “O nível mais elevado de formação proporcionado pelo Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química da USP é o de Pós-Doutorado.”

    Vou editar o artigo com a informação que você me passou.

    Obrigado. =)

  6. Thadeu Penna

    PhD quer dizer of Doctor of Philosophy, que vem do latim Philosophiæ Doctor. É apenas Doutor em inglês; não é mais que um Doutor. O Filosofia vem do do antigo “natural philosofy”, que se referia às Ciências em Geral. É comum também confundir e achar que o MBA é mais que o Mestrado, quando MBA é apenas a sigla Master of Business and Administration (Mestrado em Administração).

  7. Matheus

    Thadeu, mas me explique o seguinte: já vi no Brasil tanto Mestrado em Administração quanto MBA. Como que fica isso? É marketing das universidades?

  8. Bernardo Pina

    Recomendo a todos a leitura da parte 3 da série. Ela fala sobre MBA. MBA no Brasil é encarado como uma pós-graduação lato-sensu, diferente do Mestrado em Administração que é stricto-sensu.

  9. Matheus

    Admito que confundiu-me um pouco. Quer dizer que o Mestrado no Brasil tem mais peso que o MBA? E nos EUA, só há MBA, nada de Mestrado? E qual vocês acham mais produtivo para um nativo tupiniquin?

    P.S: Pretendo me aprofundar na área de Administração.

  10. Bernardo Pina

    Matheus, não tem algo que seja melhor para todos. O que recomendo para você é que você leia os artigos sobre MBA e Mestrado para que, de posse das suas diferenças, possa optar por um deles segundo suas necessidades.

  11. Matheus

    Ok, assim o farei. Na verdade já tinha lido, mas por ser a primeira vez que vejo a coisa dessa maneira, fiquei um pouco confuso.
    Só tenho a lhe agradecer, Bernardo. Estava realmente precisando de um material destes.

  12. Ricardo

    caros amigos,
    receio que há um grande desencontro de informações nas explicações acima. o maior título acadêmico no Brasil é o de livre-docente, que se consolida com a apresentação de uma tese equivalente à de um doutorado, de uma prova didática (ministrar uma aula), análise de currículo e memorial circunstanciado. pode haver ainda uma prova escrita. esse título consolida o profissional como pesquisador e não apenas como professor e não se trata apenas de “um reconhecimento pela instituição”. há títulos correspondentes em outros países da Europa. o pós-doutorado, de fato, não é título acadêmico, embora seja reconhecido no meio como uma etapa relevante na formação profissional. tanto é que o nome correto é estágio pós-doutoral. a duração depende da agência financiadora, pode ser de três meses a três anos. no Brasil é mais comum estágio pós-doutoral de seis meses, um ano ou um ano e meio. na Europa tem bolsas que duram três anos. na Alemanha, por exemplo, tem bolsas de três anos que podem ser renovadas por mais dois. mas, lá há um problema para se conseguir trabalho, então o estágio pós-doutoral é mais longo e serve para o pesquisador/professor arranjar uma colocação. vale lembrar que no Brasil é mais comum a junção das atividades de professor/pesquisador, exceto em institutos como a fundação Osvaldo Cruz, o CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e outros. mas, mesmo nesses locais os pesquisadores ministram aulas para a pós-graduação. finalmente, no Brasil o mestrado tem duração de dois anos. e, foi bem explicado que o PhD é um título equivalente ao de Doutor. abraços.

  13. DANIEL

    Livre-Docência não é Stricto Sensu, visto que esse patamar acadêmico não é uma “pós-graduação”. Da mesma forma, Pós-Doutoramento não é pos-graduação. De fato no Brasil existem dois tipos de pós-graduação: Lato Sensu e Stricto Sensu. As lato sensu são estudos de pós-graduação com duração de 1 ano à 1,5 ano. Entretanto, as melhores universidades do país nem sequer aceitam tais pós-graduações como partes do processo de pré-requisição à programas de mestrado.
    Quando o IQ-USP/SP diz que forma da graduação ao pós-doutoramento, ele está absolutamente certo. Embora a Livre-Docência seja o último nível acadêmico do país, ela não é uma pós-graduação (embora o pós-doutorado também não seja, mas aí é outra história).

    Atenciosamente,
    Daniel, Professor de Química