Nestas duas ultimas semanas, me deparei com vários textos que traziam a pergunta acima: será que o livro digital irá matar o livro físico?

Sem dúvida alguma, os leitores digitais, tal como o Kindle por exemplo, vêm causando uma grande revolução na nossa forma de ler. Há quem diga que ele e outros aparelhos vão acabar com o bom e velho livro físico, produto que existe há milênios e que já resistiu a muitas guerras e tempestades. Entretanto, segundo vários estudiosos, desta vez ele não irá resistir à uma guerra contra uma tempestade ainda maior, chamada tecnologia.

Um pesquisador da Microsoft afirma que daqui a alguns anos a biblioteca física será como um museu, e os livros serão peças raras de colecionador. Você acha que essas afirmações são um exagero? Ou ele está apenas vendo o que muitos ainda não conseguiram enxergar (ou aceitar)? Outro pesquisador da IBM disse na revista Info que o livro físico vai para as “cucuias”. Será?

Eu sinceramente acho que se um dia nós perdermos o livro físico, estaremos também perdendo uma parte de nossa identidade, o que poderá causar prejuízos até mesmo para a questão do hábito da leitura.

Não estou aqui fazendo nenhum julgamento contra os leitores digitais. Ao contrário, acredito que tanto o livro físico como o livro digital podem caminhar juntos, até porque com a existência dos dois haverá uma demanda mais especifica e segmentada. Eu, por exemplo, não adotaria um leitor digital por nada, já meu irmão acabou de comprar um Kindle (com o objetivo de economizar dinheiro e espaço na sua prateleira) e eu não me adaptei muito a ele.

Agora, mais do que apenas a minha opinião, este texto tem o objetivo de ser um debate, pois estamos tratando de um assunto que tem um grande leque de possibilidades. Sendo assim, coletei a opinião de alguns membros da equipe do Produzindo.net.

Bernardo Pina

“Acredito que o advento dos livros digitais irá, aos poucos, tomar o espaço dos livros físicos. As gerações nascidas antes do século XXI irão demorar um pouco para conseguir se libertar dos livros impressos, acredito que por questões de hábito mesmo. Em compensação, as novas gerações vão vir a um mundo cheio de tecnologia e serão eles que de fato irão decidir sobre os livros impressos se tornarem ou não peças de museu.

Da minha parte, prefiro os livros digitais. Acredito que sejam mais ecologicamente corretos (estudos afirmam que o iPad, por exemplo, é mais vantajoso para o meio-ambiente a partir de 23 livros digitais lidos nele), ocupa menos espaço, diminui os custos para as editoras e lojas, etc. Há inúmeras vantagens e aplicações, mas o futuro dessa tecnologia dependerá apenas de nós.”

Gabriel Barboza

“Não há como ir contra a popularização dos leitores de e-books, mas até que ponto isso influenciou no crescimento da venda de livros impressos? Acho que ambos os mercados crescem porque aumenta o número de leitores – e isso é o mais importante. Pode ser que um dia o livro virtual substitua o de papel, não há como simplesmente ignorar o avanço tecnológico. Mas enquanto ainda estou na geração que compra livros, quero curtir o cheiro do livro novo, ler uma contra-capa e se admirar com uma capa bem feita.”

Talita James

“Como vocês devem saber, sou formada em biblioteconomia. Dentro dessa área, existem duas grandes correntes sobre o assunto. Há os que dizem que certamente o livro digital irá substituir o livro físico. Os argumentos são os mais variados, mas eles têm foco em duas questões básicas: custo e capacidade de disseminação da informação. Por mais que o custo inicial de se manter uma biblioteca eletrônica inicialmente seja alto, seu custo de manutenção pode ser infinitamente menor. Os gastos com aquisição que o digam. A necessidade de selecionar itens do acervo para descarte seria absurdamente reduzida já que espaço digital é muito mais facilmente obtido.

A disseminação da informação digital é outro fator importante na discussão. A informação digital pode ser utilizada, ao mesmo tempo, por um número indeterminado de usuários, o que não acontece com os livros físicos. Por esses motivos, acho que as bibliotecas digitais, com seus livros e serviços digitais são sim uma tendência.

Por outro lado, pode parecer muito romântico, mas acredito que assim como a televisão não substituiu o rádio e tal como o cinema não o fez ao teatro, não acho que os livros digitais irão substituir o livro físico. Penso assim primeiro porque nada substitui o prazer tátil do livro: ter o objeto em suas mãos, passar as páginas, etc. Tudo isso faz parte da leitura que se faz por prazer . Acredito ainda que fazemos parte de uma parcela pequena (muito pequena) da população mundial que tem amplo acesso a esse mundo digital. No Brasil mesmo, a quantidade de crianças que vão às escolas sem lápis ou papel ainda é enorme. Uma tecnologia simples, barata, que existe há séculos e ainda não atingiu uma grande parcela de nossa população. Ainda são poucas as escolas brasileiras que apresentam uma estrutura (ainda que básica) de uma biblioteca tradicional. Quem dirá uma biblioteca digital. Sob esse ponto de vista, tão cedo a literatura digital irá se sobrepor à literatura impressa. Pelo menos não no Brasil.”

Mahina Fava

“Não acredito que um meio irá substituir o outro. Partindo do velho exemplo de que “a TV não substituiu o rádio”, o livro não será substituído pelos e-books ou qualquer outra forma de leitura de conteúdo. Considero o computador pessoal, a internet, o iPhone e demais tecnologias relacionadas, meios de comunicação verdadeiramente poderosos nas transformações sociais que provocam. Entretanto, levo este poder em consideração para dizer que são mesmo tão fortes, que irão continuar influenciando a forma como lidamos com todos os outros meios. E, claro, também influenciarão na forma de produzir conteúdo para tais meios. A TV ficará cada vez mais interativa, os utensílios domésticos terão mais funções tecnológicas, a linguagem utilizada será cada vez mais direta e reduzida, e assim chegamos ao livro, que pode incorporar em sua linguagem ou formato, diversas características do mundo tecnológico. Mas o livro tradicional sempre terá seu valor, seu lugar, sua usabilidade. Mais uma vez remetendo ao exemplo do rádio, ele somente salientou suas qualidades frente a televisão, no que destaco a rapidez, a simplicidade e o imediatismo com que difunde as informações, isto sem falar nos custos: transmitir uma informação via rádio continua sendo mais barato se compararmos a mesma noticia na TV.

A sensação física de ter um livro e realmente folheá-lo também é insubstituível. Acredito ainda que o caráter documental da “tinta no papel” vá permanecer por bastante tempo, pelo menos enquanto não tivermos disseminada alguma tecnologia que permita conferir essa característica de registro a arquivos virtuais. Documentos que exigem comprovação como processos judiciais, atas, certidões, estão em pastas, em catálogos, encadernados e empilhados em prateleiras, certo? Não vejo isso ser substituído num período de pelo menos cinquenta anos.”

Reflita sobre o que foi dito, sobre cada pensamento e compartilhe conosco a sua opinião deixando um comentário logo abaixo: será que o livro digital irá matar o livro físico?

About The Author

Cursando faculdade de Administração de Empresas pela FACER, atua na área administrativa e docência dentro do Terceiro Setor. Tem experiência com divulgação, publicidade, marketing Digital, docência e gestão no terceiro Setor. Também é autor do blog Liberdade Testada e Vale Empreender.

  • Pingback: Tweets that mention Tela ou papel? Será que o livro digital irá matar o livro físico? | Produzindo.net -- Topsy.com

  • http://www.twitter.com/ricardodantas Ricardo Dantas

    Ótimo post!

    Estou muito otimista no avanço dos livros digitais, não faço questão nenhuma de folhea-lo, muito menos de sentir cheiro de livro. Eu não vejo a hora das editoras publicarem seus livros em formato digital, são muito mais práticos, interativos e, o melhor, não ocupam espaço.

    Quanto a comparação do rádio com a TV, na minha opinião, o rádio é o mais arcaico meio de comunicação, a TV é uma evolução do rádio e hoje ela tenta se aproximar da interatividade e facilidade que a internet possui. Noto que as pessoas estão aprendendo a filtrar cada vez mais o tipo de conteúdo que querem consumir. Eu mesmo não escuto rádio a anos, vejo tudo pela internet e consumo música em players de mp3. Rádio é só para exercer a função de player no carro.

    Abraços.

    • http://www.produzindo.net/ Bernardo Pina

      Ricardo,

      As grandes editoras já estão começando a se movimentar. Hoje, já existe a livraria Saraiva que fornece livros digitais através da sua loja online, chamada Saraiva Digital. Tem conteúdo disponível em vários formatos, de forma a poder ser lido em diversos dispositovos.

      Além da Saraiva, podemos destacar ainda a Revista Veja e Época, que tem aplicativos lançados na iTunes Store, aonde podemos comprar os exemplares das revistas em meio digital, através de iPads e iPhones.

      A mudança está acontecendo, avançando aos poucos é verdade. Mas só não vê quem não quer. =)

      Abraço!

  • http://www.eletrontech.com Vitor A. Gonçalves

    Ainda gosto mais do livros de papel, formas, tipografia, gravuras, é diferente do livro digital.
    Além das questões de segurança, ainda não dá para levar um leitor digital ou um notebook para um parque ou anda com um lendo em um ônibus quando voltamos de um curso ou da faculdade a noite.
    Se as bibliotecas virem museu, pretendo continuar o meu sonho de criança de ter minha biblioteca, ou meu museu.

  • http://www.produzindo.net Rômulo Sousa

    Olá Vitor, penso exatamente como você, sou um amante do bom e velho livro, acredito que por mais avançado que seja e vai ser, o mercado de leitores digitais, ainda assim, vou querer comprar meu livro, folea-lo e guarda-lo na prateleira, pra sempre quando eu quiser, poder ler novamente.
    Agora, como falei, acredito que o que vai acontecer, realmente vai ser uma afunilação de publico alvo, ou seja as pessoas que lêem vão ser dividido em dois nichos: O dos leitores que preferem a tecnologia e os leitores tradicionais.
    Abraços

  • Juciara Souto

    Acredito que o livro digital, não vai ter tanta repercussão em nosso país, pois, o acesso ao mundo digital ainda é muito restrito na população brasileira.
    Não vejo uma biblioteca de e-boocks,vejo um esteriótipo de que o velho precisa ser restaurado. O prazer da leitura se faz não apenas do folhiar páginas.

  • Lincoln

    É muito diferente a leitura do papel com a leitura da tela…
    cansa muito menos a leitura tradicional…
    Por isso ainda prefiro prateleiras de livros….
    do que a ideia de livros digitais…
    O cheiro, as páginas, folhear….o tato… são coisas que complementam o prazer da leitura…
    Não vejo uma prática substituir a outra, mais sim a ideia de coexistencia…