Já a algum tempo tenho pensado em escrever sobre esse filme que, para mim, foi o melhor filme nacional dos últimos tempos o filme nacional que eu mais gostei nos últimos tempos. Mas não dava para ser qualquer coisa pois como já diria o Cardoso, se quiser fazer faça com estilo!

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Antes de mais nada, gostaria de avisar a todos que este texto pode conter SPOILERS do filme. Se você não viu o filme e não quer saber de nada sobre o que acontece nele antes de assistir, não prossiga até o final.

Já vi o filme duas vezes e estou lendo o livro. Nessa minha aventura pelo mundo do BOPE, estive ligando o que vi e li a uma matéria de uma aula de psicologia que eu assisti na faculdade sobre os tipos de poder. O escolhido para as definições foi John French.

Primeiramente, vamos às classificações:

  1. Coerção
    Baseia-se no temor. Um líder com alto poder coercitivo induz ao cumprimento de suas ordens, porque a desobediência poderá acarretar punições tais como execução de tarefas desagradáveis, repreensão ou até demissão.
  2. Legitimidade
    Baseia-se na posição ocupada pelo líder. Normalmente quanto mais elevada for a posição, maior será o poder de legitimidade. Um líder com alto poder de legitimidade induz ao cumprimento de suas ordens ou influencia o comportamento dos outros porque estes percebem que ele, em virtude do cargo que ocupa na organização, tem o direito de esperar que seus desejos sejam realizados.
  3. Competência
    Baseia-se na experiência, habilidade e conhecimento que o líder possui e que através de respeito, influencia os outros. Um líder com alto poder de competência facilita o comportamento de trabalho dos demais. Esse respeito induz ao cumprimento dos desejos do líder.
  4. Recompensa
    Baseia-se no poder do líder de recompensar os outros, já que acreditam que o cumprimento das suas ordens lhes trará incentivos de termos de salário, de promoção ou de reconhecimento.
  5. Referência
    Baseia-se nas características pessoais do líder. Um líder com alto poder de referência geralmente é estimado e admirado pelos outros por causa da sua personalidade. Essa estima, admiração e identificação com o líder influenciam os outros.
  6. Informação
    Baseia-se na posse ou acesso, por parte do líder, a informações consideradas importantes por outros. Esta base de poder influencia as pessoas porque essas necessitam de tais informações ou desejam estar a par das coisas.
  7. Conexão
    Baseia-se nas “conexões” do líder com pessoas importantes ou influentes dentro ou fora da organização. Um líder com alto poder de conexão induz outras pessoas a cumprir seus desejos porque querem obter favores ou evitar as ameaças da conexão influente.

Com essas definições em mente, quais são os tipos de poder que podemos enxergar no filme? (não vou abordar aqui o livro porque a maioria das pessoas que sabe do que esse post se trata, viu apenas o filme)

Resposta: TODOS.

O dever da polícia é proteger o cidadão mas como fazer isso sem se impor, sem mostrar seu poder? Com as definições de poder acima citadas, irei citar alguns momentos do filme em que podemos ver cada tipo de poder sendo exercido.

  1. Coerção
    Esse é o mais fácil de se perceber durante todo o filme. Um exemplo claro disso é quando os policiais usam força bruta para conseguir informações ou alcançar seus objetivos. Lembra do saco plástico?
  2. Legitimidade
    O poder de legitimidade é exercido através das patentes dos policiais. Dentro das forças armadas, uma patente superior tem plenos poderes sobre as patentes inferiores. Ou seja, um capitão tem que obedecer o coronel, custe o que custar.
  3. Competência
    Aqui está o nosso caro Capitão Nascimento, tão comentado pela mídia. Seu poder baseia-se nas suas habilidades como policial e na sua capacidade como líder da sua tropa. Por esses, dentre vários outros motivos, é amplamente respeitado pelos seus subordinados.
  4. Recompensa
    Quando o chefe do Cap. Nascimento lhe informa que irá fazer um treinamento para o BOPE a fim de recrutar seu substituto, informa também que antes terá que terminar a operação “João Paulo II”. Ou seja, a recompensa é a sua substituição e a tarefa é a realização da operação.
  5. Referência
    Mais uma vez o nosso Cap. Nascimento. É amplamente respeitado também devido às suas características pessoais, vistas pelos seus subordinados.
  6. Informação
    O coronel da PM (não lembro o nome dele, se alguém lembrar deixe um comentário) detém informações preciosas sobre assuntos políticos. Muita gente o respeita e o obedece simplesmente para tentar conseguir alguma dessas informações.
  7. Conexão
    Também o coronel da PM. Suas ligações com pessoas do alto escalão facilitam a sua vida aumentando o seu poder. Também funciona como um tipo de coerção. ;)

Coloquei propositalmente apenas uma situação para cada poder. Agora eu gostaria de ouvir de vocês: qual parte do filme onde podemos ver a manifestação de algum tipo de poder dentre os citados?

About The Author

Empresário (Diretor de Operações da Data Power Team) e consultor de tecnologia da informação e comunicação digital, é o fundador e editor do blog Produzindo.net. Se dedica a essa atividade pela paixão que tem pelo lema que tomou para a sua vida: “aprender para ensinar”.

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9 Responses

  1. Daniel Docki

    # Coerção
    Esse é o mais fácil de se perceber durante todo o filme. Um exemplo claro disso é quando os policiais usam força bruta para conseguir informações ou alcançar seus objetivos. Lembra do saco plástico?

    saco é ficha, lembra do cabo de vassoura?

    aUHAuaHUahuHA

    Perfeito esse filme…

  2. Guilherme

    Cara, discordo de você ao dizer que este é o melhor filme brasileiro dos últimos tempos.
    o filme causa grande impacto e tem elementos que geram bastante discussão e assuntos posteriores. Mas temos que saber diferenciar um filme forte de um filme bom.
    Em se tratando de CINEMA, de arte para o cinema, este filme não apresenta nada de inovador. É uma história bem linear e maniqueísta. Apresenta bastante cenas de violência e tem um personagem principal folclórico e cheio de jargões que o povão logo tratou de sair repetindo.
    Mas é só. Como filme, é pobre. O roteiro é simples, não apresenta uma trama complicada ou que não possa ser deduzida, a trilha sonora é pessimamente escolhida e mal utilizada. A direção de arte, a montagem das cenas, ângulos de câmera, são apenas tradicionais.
    Salva-se a ótima atuação do Wagner Moura.
    Para fazer uma comparação fácil, pense no Cidade de Deus. Um filme que retrata a mesma realidade, mas com uma montagem excelente, cenas bonitas, riqueza de personagens, montagem não-linear e um bom uso da trilha sonora.
    O sucesso de tropa de elite está muito mais baseado no impacto das cenas explícitas e chocantes, no exagero de um personagem caricatural e durão, do que propriamente na composição de obra de arte inovadora para a linguagem do cinema.
    É um filme óbvio e gratuito, que simplifica a questão das drogas a uma análise superficial de mocinho contra bandido, e glorifica a força bruta em um personagem cheio de frases grotescas, que o povão papagaio brasileiro sai repetindo, assim como repete qualquer m*rda que aparece na TV.

  3. Bernardo Pina

    Guilherme… Respeito e concordo com a sua análise. Generalizei muito quando falei “o melhor filme nacional dos últimos tempos”. O que eu quis dizer foi que esse foi o filme brasileiro que eu mais gostei nos últimos tempos.

    Analisando a parte técnica da coisa, concordo em absoluto com você. O filme foi pobre e se salvou pela atuação magnífica do Wagner Moura.

    Mas o que me chamou mesmo a atenção no filme foi a exposição que ele deu ao BOPE. Todos nós sabíamos que o BOPE existe e sabíamos mais ou menos o que ele é. Com o filme, a realidade “caricaturada” do BOPE veio à tona e agora sabemos parte do que acontece na vida desses oficiais.

    Estou lendo o livro “Elite da Tropa” e, comparando, o filme é realmente uma caricatura do BOPE. A realidade é mais dura do que a mostrada lá e o BOPE também não é nenhum santo salvador da pátria como algumas pessoas podem interpretar.

  4. Guilherme

    Sim, notei que seu post foi mais sobre a questão do poder do que uma análise do filme como obra cinematográfica. Meu comentário foi mesmo em relação ao que vc disse sobre ser o melhor dos últimos tempos. Mas, legal que vc concorda.
    T+!

  5. Marcos Duque

    Na verdade, uma coisa é boa quando terminada e provada mais uma vez. Se isso aconteceu com o filme, então não pode ser ruim. Não adianta compará-lo às produçôes de Hollywood por haver um abismo técnico INEXPLICÁVEL – digo assim porque existem milagres técnicos no nosso meio publicitário que não se extendem ao nosso Cinema. Mas a cena em que um dos personagens é carbonizado vivo entre uma pilha de pneus dá pau na maioria de cenas semelhantes em Hollywood. E, como disse acima, se você assistir ao filme mais de uma vez, onde que é ruim?

  6. Bernardo Pina

    Em termos técnicos, o filme deixa a desejar sim. Mas acho que ele veio para nos mostrar que nem só de técnica vivem os cineastas… Esse filme mandou MUITO BEM na sua idéia e por isso fez tanto sucesso.

    Eu ja vi o filme 3 vezes! =D

  7. bruna

    Se tratando num país onde a verdade é omitida,
    a crítica do filme foi muito feliz em seus argumentos. Saber aprofundar o assunto e mostrar que tem algo mais a ser visto e analisado no país do que os riquinhos pensam. Muitos jovens nao sabem nem o que acontece em sua volta já nao vivemos num país que inicia a cultura e o filme é o meio de retratar as injustiças socias que enfrenta o nosso mundo!
    Filme nao é só cinematográfica ou técnica mas tem que ser cultura se nao temos estruturas fazer o que mas se temos um pouco de cultura nao vamos desperdiçar né rsrsrs
    Bom ta ai minha opnião!

  8. Isis Gabi

    Sua análise contribuiu bastante para a minha análise sobre o filme baseada nas teorias de Psicologia Social Comunitária estudadas.
    Estudei Relações Comunitárias e Relações de Dominação.O que vc escreveu a respeito dos tipos de poder, me ajudou a complementar a teoria.
    Parabéns!

    No mais também te achei gatinho ;)