Essa semana eu percebi que minha linguagem falada ultrapassou o limite do aceitável no quesito informalidade, e nada melhor que escrever sobre isso pra me treinar e ter um vocabulário mais compatível com a minha idade, já que a minha adolescência ficou na década passada.

A linguagem que utilizamos no nosso dia a dia, inclusive na internet, pode dizer muito sobre a gente. É como a roupa que usamos: mais do que traje, passa uma mensagem. Em imagens, parafraseando o pessoal do Esquadrão da Moda (SBT – sim, eu assisto), o visual da Camila Pitanga na novela Paraíso Tropical ao interpretar a personagem Bebel diz:

  1. Me respeita!
  2. Galera, pode vir que a festa é aqui!

Da mesma forma é a nossa linguagem: quase tudo é permitido, mas nem tudo nos convém. Pelo menos não a qualquer momento.

Gírias

Quem não fala nenhuma gíria que atire a primeira pedra. Em conversas informais, com seus amigos, é permitido e até deixa a conversa mais fluida, natural. Em entrevistas de emprego, jamais. No ambiente de trabalho, com os colegas, é permitido desde que não seja muito freqüente. O cuidado deve ser maior com expressões que viram vícios de linguagem. Expressões como “tipo assim” (ou apenas “tipo”), “Né?!”, “Como assim?!” costumam grudar na ponta de língua e acabam escapando em momentos indesejados. Os “novos pronomes” também entram nesta lista: “cara”, “véi” (ou velho), “mano”, “bróder” (aportuguesado mesmo), “bicho” e tantos outros.

Palavrões

Se em um mesmo dia você acorda atrasado, queima a língua com o café, pisa na poça d’água, fura o pneu do carro, chega atrasado no trabalho, descobre que esqueceu aquele documento importante em casa e o resto do dia continua sempre nesse nível, mais cedo ou mais tarde você acaba sentindo a necessidade de falar um palavrão pra desestressar.

Quer uma dica?! Fique sozinho na hora de fazer isso. Se você é mulher então, peça licença até pra Deus e tape seus próprios ouvidos. Nem mesmo você merece ouvir um palavrão sair da sua boca. É muito feio. “Necessário”, mas feio.

Na partida de futebol, no boteco, na final da copa do mundo: liberado, mas com moderação. Momentos de stress: se estiver sozinho, liberado. Fora isso, guarde seus palavrões pra você. Não há exceções! Se você estiver morrendo de dor, até mesmo dor de parto, deixo as palavras da minha avó: até pra sofrer devemos ter educação.

Linguagem técnica

É muito desagradável participar de uma conversa sem entender o que alguém está falando por causa de um “abuso” de vocabulário técnico. Procure usar esse tipo de linguagem apenas quando o assunto exigir e/ou todos do grupo estiverem familiarizados com os termos.

Querer passar por inteligente, utilizando expressões e palavras menos conhecidas faz você parecer arrogante e afasta as pessoas de você.

“Cada um com seu cada qual”

Cada linguagem, cada expressão, tem seus locais e ocasiões próprios para serem utilizados. Saber distinguir o momento e o público faz com que você se comunique melhor, atingindo seus objetivos com mais facilidade, mais clareza.

Lembre-se que os extremos (formalidade ou informalidade demais) nunca causam uma boa impressão. Mostre o que você é através do que você fala!

About The Author

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília (UnB), atua nas áreas de gestão da qualidade e gestão da informação desde 2006. Interesse em gerência de projetos, gestão do conhecimento, sistemas de gestão da qualidade, biblioteconomia, restauração de documentos e (claro!) livros e literatura. Muito abrangente? É o poder do profissional bibliotecário, que funciona de A a Z.

  • Gledson

    Muito bom o artigo. Parabéns Talita!

  • Rogerio Augusto

    Nooosso Deus! Amei…e aprendi muito. (Até ri um pouco!) Posso mandar pros meus amigos por email?

    • Talita James

      Por favor!!! Me sinto honrada!!!